TODAS AS MINHAS RAIVAS E TRISTEZAS...

naufragio seco II.jpg


 


Todas as minhas raivas e tristezas


E todas as angústias, todas elas,


Me vêm da dif`rença entre as grandezas


Engendradas por homens, não por estrelas!


 


Nem de astros, nem de ocultas naturezas,


Me surgem, com razão, razões pr`a tê-las,


Pois sendo humanas todas as fraquezas,


Também humanas são as causas delas...


 


Burocracias, desencontro, atraso,


Não saber ver-se um caso em cada caso


E as mil e uma falhas do sistema,


 


Vão-me deixando assim, fora de prazo;


Ribeira sêca em cujo leito raso


Naufraga, verso a verso, o meu poema...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 08.03.2017 - 14.10h


 

Comentários

  1. “Razões”

    Tenho uma razão sem razão
    Mas não admito prescindir
    De com esforço e dedicação
    Essa sua razão perseguir

    Pode ser uma frustração
    Mas também pode advir
    Um momento d’explosão
    Se essa razão contribuir

    Para uma cabal explicação
    Mas se esta não existir
    Apostemos na interiorização

    Do que a razão possa decidir
    Num processo de conciliação
    Com razões por descobrir.

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    Respostas
    1. Nunca foram lineares,
      As razões duma razão...
      Nem sequer nascem aos pares;
      Mas crescem num turbilhão

      E invadem todos os mares;
      De fora pr`a dentro vão
      Usurpando os patamares
      Da nossa concentração...

      Às vezes, num repelão,
      Vai um verso pelos ares
      Nos sopros de um furacão

      E não devo erguer-lhe altares,
      Nem render-me à confusão
      Em que, às vezes, me encontrares...


      Maria João


      Parece-me que já estou um pouco mais "acordada", Poeta... pelo menos este sonetilho não saiu tão "martelado" quanto o anterior... abraço grande!

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  2. “O sistema”

    Aqui e em qualquer lugar
    Naufragamos sem querer
    Por o sistema não prestar
    Nem sequer nos querer ver

    Sem o direito a reclamar
    Bem que podemos sofrer
    Bem que podemos chorar
    Bem que podemos morrer

    Mas temos que nos conter
    P’ra podermos descontar
    E o sistema alimentar

    Pois ele não quer saber
    Se estamos a naufragar
    Desde que esteja a flutuar.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai, Poeta... este sistema
      É burguês-capitalista;
      Só mascara o seu "emblema",
      Mas continua elitista...

      Vejo mal, mas "ele"... é cego!
      Mete mais "água" do que eu,
      E espelha o seu próprio ego
      Na razão que o concebeu...

      Acabada de acordar
      - já o sol era nascido... -
      Mal sei caracterizar

      Um sistema corrompido
      Por tudo o que eu não citar
      Por tão pouco ter dormido...

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Desculpe a "marteladice" que para aqui vai, mas... hoje acordei já com o sol nascido, dormi pouco - cãibras... - e quer-me parecer que ainda não despertei de todo; isto foi tudo o que me ocorreu, nas actuais circunstâncias.

      Abraço grande!


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