MATÉRIA-PRIMA

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MATÉRIA-PRIMA
*


 


 


Não são de prata fina, ouro-de-lei,


De jade, madre-pérola ou diamante,


Mas da lava insurrecta, inquietante,


Do verbo em que te deste, em que me dei,
*


 


Os versos, tantos quantos semeei


No torrão duma urgência, a cada instante


Da premência tão mais desconcertante,


Quão mais distante o tempo em que os plantei
*


 


Não colho o verbo frágil, rendilhado,


Trágico, maneirista ou delicado:


Quero o verbo que assuma o travo puro
*


 


Do fruto firme e doce ao ser trincado,


Da terra ao ser rasgada por arado


Ou do trigo dourado e já maduro.
*


 


 



Maria João Brito de Sousa


21.04.3017 -16.35h
***









 

Comentários

  1. “Pesadelos paralelos”

    Pesadelos paralelos
    E o céu desata a chorar
    Pesadelos paralelos
    Mágoas da humanidade
    Pesadelos paralelos
    Em sonhos despedaçados
    Pesadelos paralelos
    No espelho de imagem difusa
    Pesadelos paralelos
    E o tempo nem se importa
    Pesadelos paralelos
    Com os pontos de encontro
    Pesadelos paralelos
    Que existem no infinito.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Escaladas bem reais

      Fujo desses pesadelos,
      Sobretudo quando são
      Desses, ditos paralelos
      Porque não se encontram, não...

      Prefiro falar de alelos,
      Ou da própria evolução
      Que alguns selam com mil sêlos,
      Contra as razões da razão.

      Escalando o monte improvável
      Pelo qual me apaixonei,
      Fiquei menos vulnerável

      E aprendi que pouco sei,
      Mas que há sempre algo escalável,
      Pois de aprender não deixei...

      Maria João

      Bom dia, Poeta!

      Aqui vai, com o abraço de sempre, o que me ocorreu juntar aos seus "Pesadelos Paralelos".

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  2. Cara amiga,

    Você me fez ir ao pequeno quintal da minha morada e lá ver um fruto que nasceu misteriosamente _ uma abóbora ou jerimum. Esse fruto deu-me um fruto bem maior que foi o soneto abaixo que lhe envio:
    MINHA ABÓBORA

    Beleza que os meus olhos ilumina,
    Bem produzida pela natureza,
    És árvore rasteira que fulmina
    O meu olhar com toda a tua grandeza.

    Eis o fruto que mostra Deus maior,
    Trazendo o melhor gosto do alimento,
    Esse em pura essência e primor,
    Exalando o teu amor puro e sedento.

    Ó meu bom alimento à luz divina!
    Quero agora sentir o teu sabor
    E agradecer a Deus toda a bondade.

    Teu é o amor que Deus sempre nos ensina
    Para todos que têm fé e labor
    Na eterna obra da pura divindade!



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    Respostas
    1. Muito grata pelo seu bonito soneto, bem como por me fazer saber que, de certa forma, possa ter sido inspirado pelo meu soneto, poeta amigo Adílio Belmonte!

      Fraterno abraço!

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