NUM SONETO...
Num soneto poria o que soubesse,
Se acaso me coubesse saber mais,
Tornando-o num cais que recebesse
Ideias que entendesse bem fulcrais.
Das guerras virtuais que o mundo tece
E entende quem conhece os seus iguais,
Saberei pouco mais do que parece
No pouco em que fornece alguns sinais.
Umas coisas, porém, conheço bem
E, a outras, bem melhor do que ninguém,
Porque por mim criadas e vividas,
Mas se entendidas porque as sinta alguém,
Tanto quanto eu as sei saberá quem
Sentiu tê-las vivido enquanto lidas...
Maria João Brito de Sousa - 03.04.2017 - 14.24h
A vida é um poema. E a amiga Maria João o traduz com rara fidelidade. Demais, a força de teus versos facilmente transborda em inspiração pelo outro lado do Atlântico.
ResponderEliminarSó uma palavra pode demonstrar o valor de tua obra, cara amiga: Obrigado!
Adílio Belmonte,
Belém - Pará - BRASIL
SONETO DO AMOR
Meu sonhar desemboca num soneto,
Onde derramo toda essa emoção
Que fica bem distante do poemeto,
Obra esta nascida na ilusão.
Volto os meus olhos junto ao teu leito
À procura dos sonhos aí vividos,
Cujas raízes povoam o meu peito
Como embates de amores divididos.
Não sei buscar em ti todas as rimas,
Mas vejo realmente que são pobres
Talqualmente as trovas desse amor.
Ah! Mas sabes tu que ainda me animas
E daí me inspiras versos bem mais nobres
Com o aroma e poder da bela flor.
Eu é que agradeço a gentileza das suas palavras, bem como o belo soneto que me enviou, poeta amigo Adílio Belmonte.
EliminarAqui lhe deixo o meu abraço poético, sob a forma de glosa.
Obrigada!
"Meu sonhar desemboca num soneto"
Nascido de um só verso que me embala
E vai desenrolando, por completo,
Os demais versos que esse verso exala
"Volto os meus olhos junto ao teu leito",
Mas nunca sei que sonhos lá sonhaste,
Nem se o teu sonho um dia foi desfeito
Pelo rigor da vida que encontraste...
"Não sei buscar em ti todas as rimas",
Porque cada poeta vai criando
Segundo entende e sente o seu poema,
"Ah! Mas sabes tu que ainda me animas"
Quando, nas tuas rimas, vais mostrando
Qu`inda te anima uma harmonia extrema.
Maria João
“Loucuras”
ResponderEliminarDistribuamos a loucura
Que suporta a realidade
Assumamos que perdura
Lampejando insanidade
Fundamento de procura
Da mais pura necessidade
Duma sanidade impura
Que fractura a verdade
Não procuremos melhor
Onde a relatividade impera
Façamos apenas diferente
Com este desígnio maior
Semear a paz na terra
Colher amor permanente.
EliminarLoucura, no lato senso
De humana patologia,
É, por norma e por consenso,
Uma tremenda agonia
E demência que dispenso
Pois produz desarmonia,
Sendo um pesadelo imenso,
Sendo uma imensa "avaria"...
Confundimo-la, contudo,
Com mera excentridade
E se a isso agora aludo,
É porque o fiz, na verdade,
Aplicando o termo a tudo,
Com excessiva liberdade...
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de sempre!
“Um poema de pedra”
ResponderEliminarExiste a poesia em pó
Água lhe deves juntar
Poesia em pedra tão só
Quando a água evaporar
São poemas doutras eras
Esculpidos por artesão
Artifícios e quimeras
Correia de transmissão
Que não te irá explicar
O que ali ficou gravado
À luz do tempo actual
Tenta apenas decifrar
Um pedaço do passado
Nessa poesia escultural.
Prof Eta
POESIA PLASTIFICADA
EliminarEm pó, liofilizada,
Muita encontro por aí
E até mesmo a congelada
Já encontrei e já li
Pois "pronta a ser cozinhada"
Nasce muita... até já vi
Poesia plastificada
Que engolir não consegui...
Destas, ou das outras eras,
Sempre encontrei poesias
Muito fracas, muito "beras",
Cheias de desarmonias,
Ocas como ocas esferas,
Só "para enfeitar", vazias...
Maria João
Bom dia, Poeta!
Não sou assim tão "antiga", mas acredite que comecei a tomar contacto com a poesia logo nos meus primeiros anos de vida e, se é verdade que li maravilhas, não será menos verdade que me deparei, também, com "poemas" que nem sequer poemas eram... encontrei-os e continuo a encontrá-los, por vezes muito aplaudidos, infelizmente...
Um abraço grande!
“Sentença assinada”
ResponderEliminarNão me pesa a leveza
Deste caminho tão duro
Percorrido com destreza
Respirando o ar mais puro
Só me pesa a certeza
De que existe um futuro
Desprovido de beleza
Sem amor e tão impuro
Onde vida é indiferença
Onde poesia é matança
Onde música é explosão
Assinámos a sentença
Matámos a esperança
Ao ignorar a situação.
HIPÓTESE, NÃO TESE...
EliminarÉ possível, mas não certo,
Que o futuro venha a ser,
Num tempo que já está perto,
Algo que faça doer,
Fica a sentença "em aberto"
Para o que der e vier,
Qu`inda creio haver conserto
E a esp`rança não quer morrer...
É certo que a poesia
Se perde em desarmonia
E, a palavra, em sentido...
São reflexos duma era,
Mas sempre há quem fique à espera
De encontrar o já perdido...
Maria João
Bom dia, Poeta!
Embora, para mim, seja tarde para esperar grandes resultados, não perdi a esperança em relação aos vindouros...
Cá vai, com o abraço de todos os dias!