OUTRAS TEXTURAS...

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OUTRAS TEXTURAS
(da escrita)


 


A quanto escrevo, devo esta ventura
De ter um chão florido no meu peito!
Devo-lhe todo o sol de que me enfeito
Enquanto sobrevivo à noite escura


 


E porque a minha mente o não descura,
Mal na escrita me espelhe, assim me aceito,
Pois nessa posição, com algum jeito,
Posso-me ir conferindo outra textura…


 


Por vezes, na postura reflexiva,
Torno-me algo que evoca a coisa viva
Que aguarda o seu momento, a sua vez


 


De ser pura matéria criativa…
Mas se isto se mantém, disso me priva,
Porquanto me desdobra em mil porquês…


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.04.2017 – 16.00h

Comentários

  1. Respostas
    1. Esta está a ser dura e penosa, mas... tens razão, de alguma forma teve um belo e inesperado - para mim... . "efeito colateral", uma vez que me levou a escrever numa altura em que estava... olha, estava em "pousio forçado pelas circunstâncias"...

      Obrigada e um forte abraço, Rogério!

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  2. Cara amiga,

    Doutro lado de mares há séculos navegados vem-me forte inspiração ao ler seus sonetos. A arte e a distância tendem a unir linhas invisíveis que ligam versos tão próximos é tão distantes.
    Que Deus a ilumine, agora é sempre!
    Feliz páscoa!

    Adílio Belmonte
    Belém - Pará - BRASIL

    VERSO NO PAPEL

    A escrita e o verso vêm da inspiração,
    Quando amamos ou mesmo, já chorando,
    Buscamos numa musa a emoção
    Que nos deixa um ao outro implorando.

    Caem as letras sobre o papel,
    Onde também, por vezes, descem lágrimas
    Dos olhos dos que buscam a Babel
    Como torre de línguas bem legítimas.

    É assim que te falo desse amor,
    Talvez numa pureza angelical
    A ponto de escrever versos sagrados.

    Mas, longe do amor, busco o louvor,
    Cantando minha trova em madrigal
    Para sermos em sonhos consagrados.

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    Respostas
    1. Poeta amigo Adílio Belmonte, agradeço, do fundo do coração, o seu lindíssimo soneto e retribuo os votos de uma feliz e serena Páscoa.

      Estou com graves problemas técnicos. O meu computador apagou-se literalmente e estou a utilizar um computador muito, muito antigo que tem incompatibilidades de toda a ordem e não me permite mais do que alguns segundos - por vezes, alguns minutos... - online.
      Temo bem não aguentar por muito mais tempo esta verdadeira "batalha" por uns instantes de ligação instável, mas tentarei enquanto me for humanamente possível.

      O meu grato e fraterno abraço!

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  3. “Os dias do nada”

    Nos dias do nada existem intenções de tudo,
    Os dias do nada são ocos e vazios,
    Têm intenções plenas e sustentadas em nada
    E tudo toma conta de nós,
    Como se nada fosse tudo
    Como se nós fossemos nada,
    E se nós não formos nada
    De quem serão as intenções ?
    Os dias do nada plenos de intenções
    Intenções de tudo, alheias a nós,
    Tristes dias do nada …
    Sublimes dias do nada …
    Onde nós somos nada
    Providos de intenções alheias,
    Nos dias do nada existem intenções de tudo.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Por tudo e por nada,
      Nos dias vazios,
      Há gente cansada
      De invernos, de estios,

      Quando confrontada
      Com tais desafios
      Que, mesmo calada,
      corre como os rios

      Eu sempre decido,
      Se bem que isso faça
      Sobre o que divido,

      Se o posso, com graça,
      Porque não duvido
      de que o tempo passa...

      Maria João

      cá vai, muito, muito à pressa e sem algumas maiúsculas que deixaram de funcionar com o "apagão" do computador. Abraço, Poeta!

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  4. “Tostões”

    Mãe de todas as bombas
    Paz na terra aos homens…
    Guerra aos vampiros,
    Mil suspiros
    Ante a explosão…
    Êxtase supremo,
    Poder acima da vida
    Numa morte decidida…
    Pois não vale um tostão.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Concordo que nada valha
      Porque apenas ceifa vidas,
      A MOAB que a morte espalha
      Entre as gentes divididas,

      Mas onde a razão nos falha,
      Mil falhas são cometidas
      E há sempre algum canalha
      Que se orgulha dessas f`ridas...

      Lamento, mas não estou bem
      E se em tempos fui alguém
      Que não se curvava a nada,

      Evocando a bomba-mãe,
      Sinto que não sou ninguém...
      Prefiro ficar calada.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Tenho consciência da "pobreza desafinada" deste meu sonetilho, mas não me sinto mesmo nada bem depois de uma nova paragem de digestão...

      Cá vai com o abraço de sempre!

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