SENTIR COMIGO...
Foi na lagoa límpida e brilhante
Dos teus doirados olhos, companheiro,
Que vi passar-se um lustro todo inteiro
No reduzido espaço de um instante
E foi sentindo o teu sentir constante
Que até ao teu momento derradeiro
Soube profundamente verdadeiro
Esse teu ser que alguém jurou distante...
Ninguém sonhou sequer saber-te assim
E mais ninguém soube entender-me a mim
Como tu me entendeste, velho amigo,
Pois não é fácil ser-se, até ao fim,
Límpido como um lago de jardim
E, nessa limpidez, sentir comigo...
Maria João Brito de Sousa - 01.04.2017 -12.32h
Ao meu gato, Sigmund Freud
“Prisioneiros”
ResponderEliminarPrisioneiros da sociedade
Porque ela nos oferece
Espasmos de felicidade
Nesta teia que nos tece
Contratos de solidariedade
Que o contratante esquece
Imposições da verdade
Que no tempo prevalece
Somos forma sem sentido
Somos a peça engrenada
Na estranha forma de ser
Pois o que é construído
Vale tudo e vale nada
Temos tudo sem nada ter.
Somos naturalmente sociáveis...
EliminarRazões da nossa humana natureza
Que nos tornaram menos vulneráveis
E menos susceptíveis de ser presa
De muitos predadores insaciáveis;
Unimo-nos pra ter melhor defesa...
No príncipio assim foi. Eram louváveis
As partilhas de tecto, leito e mesa...
Depois... embora soe a "frase feita",
Fomos tomando posse dos mais fracos,
Que alguns pensando ser a massa eleita
E deixando a razão desfeita em cacos,
Só pensam em colher toda a colheita
De quem semeia, mas não vê "patacos"...
Maria João
Bom dia,Poeta! Desculpe-me este soneto tão pouco poético e tão marteladito, mas parece-me que não estou num dos meus dias de "inspiração".
Cá vai com o abraço de sempre!