A ESTRANHA, EM VEZ DE MIM
Das pontas dos meus dedos já não brotam
Palavras como as que antes me brotavam,
Mas os meus pobres dedos já nem notam
Que a palavra era o chão que antes lavravam…
Cansados e doridos me derrotam
Diante das vitórias que almejavam
E assim me roubam tudo e me amarrotam,
Embora nem sonhando o que estragavam…
Definho nesta extrema dependência,
Eu que sonhei ser livre até ao fim
Dos dias de caminho e de existência,
E se esta caminhada acaba assim,
Que acabe duma vez! Não há paciência
Pr`á estranha que me habita, em vez de mim!
Maria João Brito de Sousa – 10.05.2017 – 13.03h
“Invernos”
ResponderEliminarE o silêncio ecoou
Numa imensa oração
Nada então se escutou
A não ser o coração
E a alma aproveitou
Para se limpar da razão
Que em tempos a sujou
Por não ter tido atenção
Dizem são coisas da fé
Entre o céu e o inferno
Neste mundo pequenino
Mas se nada é como é
Pode ser que no inverno
Eu me faça peregrino.
Gostaria muito de lhe poder responder "à letra", Poeta, mas não consigo.
EliminarAs dores ósseas e musculares, bem como o desconforto geral, são muito intensos e desconcentram-me completamente.
Um grande e grato abraço.
Essa estranha que a habita
ResponderEliminarFaz parte da caminhada
E portanto coabita
Sem ter sido convidada
Acredito que a irrita
Por não estar adaptada
Mas vai ver que ela a imita
Não tardará mesmo nada.
Bom dia, Poeta.
EliminarEspero bem que assim seja, porque me não está a ser nada fácil sobreviver nestas condições de extrema dependência/limitação física...
Sairei muito em breve para duas consultas; uma de avaliação do INR e outra com a médica de família.
Entretanto, este computador, gentilmente cedido por um amigo, voltou a ficar sem som, depois da reparação. Verei se estou em condições de o levar à reparação depois das consultas. Esta crise de Lúpus é bem mais forte do que todas as que tive até agora.
Abraço grande.