DO FUNDO DE MIM

Oscar-Bluemner-Death.JPG


 


Mais fundo, neste poço tão sem fundo,


Mergulho a cada dia em que não vivo


E sinto-me, no fundo, um ser cativo


Que vai dizendo adeus à vida, ao mundo.


 


Perdida da palavra – e nela abundo… -,


De quanta poesia hoje me privo,


Resta-me este mal estranho, consumptivo,


Voraz, perverso, vil, nauseabundo…


 


E sonhei eu escrever até ao fim,


Quando, afinal, a morte chega assim,


Pé-ante-pé, esmagando a pouco e pouco


 


Os frutos que medravam no jardim


Que andava a cultivar dentro de mim,


Em vez de, abrupta, desferir-me um soco.


 


 


Maria João Brito de Sousa – 17.05.2017 – 11.57h


 


Imagem - Tela de Oscar F. Bluemner

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