GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLIV

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QUANDO A NOITE CHEGA


 


Serenamente a noite chega e traz


Um bailado com fitas de luar


Num brando musical que se perfaz


Nos sonhos que se formam num olhar


 


Se uma sombra dançante, satisfaz 


Fantasias que crescem no lugar


Onde o som do silêncio é capaz


De num abraço quente vir beijar


 


Os lábios que trauteiam as canções


Ao ritmo do bater dos corações


Quando sonho visita o pensamento


 


E junto com as estrelas e o luar


Há um conjugar perfeito um embalar


Que leva a viajar plo firmamento 


 


 


MEA


9/05/2017


 


 


FINITUDES


 


“Serenamente a noite chega e traz”


Um pouco de descanso ao torturado


Corpo que já não busca senão paz,


Quando da própria paz se vê privado.


 


“Se uma sombra dançante o satisfaz”


E devaneia um tanto alucinado,


Será só porque a dor não foi capaz


De lhe apagar um sonho antes sonhado.


 


“Os lábios que trauteiam as canções”,


Cerram-se agora em estranhas contorções,


Que a dor que quer esquecer não foi vencida


 


“E junto com as estrelas e o luar”,


Está a dor, sempre pronta pr`a lembrar


Que os sonhos também morrem, como a vida.


 


 


Maria João Brito de Sousa – 18.05.2017 – 10.08h

Comentários

  1. Os sonhos são maiores que o corpo. Lindo!

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    1. Hoje foram, Fashion, hoje foram... mas depois destas "tecladelas" todas, tive de me ir deitar. Fiquei cheia de dores nos músculos dos ante-braços...

      Outro beijinho e festinha.

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    2. Obrigada, Fashion!

      Desde muito jovem, tenho tido graves problemas de saúde, mas confesso que agora são muito, muito mais difíceis de ultrapassar... e muito mais próximos uns dos outros...

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  2. O meu envergonhado conto minúsculo

    ( Da irmã ) de Zé da Ponte

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    1. Peço desculpa, Poeta. Não sei como isto aconteceu, mas só agora descubro esta sua referência ao conto que vou já ler.

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  3. “Vendilhões”

    Mentira melhor que verdade
    Na qual podes acreditar
    Pois supera a realidade
    No que esta tem para dar

    Uma bolha de felicidade
    Que se eleva alto no ar
    E que sem dó nem piedade
    Acaba sempre por rebentar

    Acredita sem restrições
    No que oferecem sem mais
    Teus amigos, os vendilhões

    Não há outros amigos iguais
    Dão-te ouro a troco de tostões
    Nunca penses que são virtuais.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Tenho amigos e leitores
      - poucos, mas em condições... -
      E, embora cheia de dores,
      Nunca os julguei "vendilhões"!

      Sempre os achei bem melhores
      Do que os hábeis aldrabões
      Que vendem espinhos por flores
      Por amor a alguns tostões

      E, de ouro, nunca gostei...
      Só na "chave" que conclui
      Os versos que aqui deixei,

      Ponho aquilo que se intui
      Ser dourado e ser de lei
      Porque, "de ouros", nunca fui...

      Maria João

      Bom dia, Poeta.
      Devagar, muito devagarinho, já vou conseguindo deixar fluir uns versitos, embora ainda me seja muito difícil teclar. Esta infecção renal - pielonefrite - foi muito difícil de superar e acabou por desencadear uma crise de lúpus que ainda está "para durar"...

      Abraço grande!

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  4. Que bom, nobre poetisa, vê-la nos brindando e iluminando com seus versos!
    Que Deus a ilumine, com saúde, paz e amor!

    Adílio Belmonte,
    Belém-Pará, Brasil



    LUZES DA NOITE

    A noite já vem clara e em brilhantes
    Luzes que trazem cores ao viver
    Dos angustiados dias bem distantes,
    Onde do amor brotava o sofrer.

    Muitas estrelas, cúmplices da lua,
    Ao alumiarem todo o meu semblante
    Mirado no espelho da áurea tua,
    Refletindo algo nítido e brilhante.

    Esse ignoto clarão, face do amor
    Recôndito, esconde a lealdade
    Profunda e a sinfonia das estrelas.

    Na luz se reproduz todo o calor
    Mesclado de carinho e de bondade,
    Dádiva da paixão pronta a mantê-las.

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    Respostas
    1. Muito grata pelas suas palavras e pelo seu soneto, poeta amigo Adílio Belmonte.
      Infelizmente e por motivos de saúde, estou ainda muito, muito longe de poder retomar o meu antigo ritmo de produtividade poética.

      Fraterno abraço,

      Maria João

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  5. “Alma de pedra”

    A alma capaz de amar
    Quando está do avesso
    É bem capaz de odiar
    Sem julgar-se em excesso

    Também mata sem pensar
    Ou questionar o processo
    Em seguida vai regenerar
    Torna-se alma de gesso

    É da natureza humana
    Ignorar a dor alheia
    Diz-se ter alma de pedra

    Daqui o horror emana
    Pois quem os ventos semeia
    Colhe tempestade que medra.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. É comum no ser humano
      Essa estranha oscilação
      E não raro é causar dano
      Quando nem olha à razão...

      Cai nódoa no melhor pano
      Quando oscila um coração
      Entre um amor quase insano
      E a sua oposição,

      Mas se a dor alheia abunda
      E o desastre a banaliza
      É com tristeza profunda

      Que o ser humano a analisa...
      Só não esperem que a confunda
      Com algo que o realiza.


      Maria João


      Bom dia, Poeta! Cá vai, muito "martelado", o meu sonetilho.
      Abraço grande!

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