GLOSANDO JOÃO MOUTINHO
AGORA II
Agora, diz-me tudo o que quiseres
Agora, é o momento de sentir
Agora, não desfolho malmequeres
Agora, é o instante de sorrir
Agora, é uma pressa que tu queres
Agora, é outro passo no porvir
Agora, é outra seta que desferes
Agora, nem me chegas a ferir
Agora, já passou, já é futuro
Agora, foi o tempo que perdi
Agora, se quiser, posso ser puro
Agora, não importa o que vivi
Agora, já não posso ser mais duro
Agora, já não sei viver sem ti
João Moutinho
MORDENDO O ALHEIO FRUTO
“Agora, diz-me tudo o que quiseres”,
Agora, e não depois, te glosarei,
Agora, bem sabendo que preferes
Que apenas prove e diga que gostei.
“Agora, é uma pressa que tu queres”
E foi precisamente onde eu parei,
Agora, vou esquecer quanto opuseres
Aos versos que, na pressa, te roubei.
“Agora, já passou, já é futuro”
Agora, sem pedir - nada pedi... -,
Tomo posse daquilo que capturo.
“Agora, não importa o que vivi”,
Mordo o poema urgente e já maduro
Que sem pedir licença aqui colhi.
Maria João Brito de Sousa – 24.06.2017 - 09.15h
Poetisa,
ResponderEliminarPoesia atrai poesia e o verso pode mudar o universo.
AGORA O AMOR
Agora, vejo os poetas lado a lado
Mostrando sentimentos em seus versos
E todo o romantismo faz-me alado,
Querendo voar sobre universos.
Agora quero ir buscar muitas flores
P'ra saudar a poetisa em seu talento,
Pois só vivo a sonhar com meus amores
Mesmo na solidão e sem alento.
Agora, busco toda a inspiração,
E procuro na rima o meu conforto,
Porque sofrer ajuda muito a amar.
Agora, busco toda a devoção
E componho co'amor e fico absorto,
Pois os poetas sabem declamar.
Bom dia, poeta amigo Adílio Belmonte.
EliminarMais uma vez lhe fico muito grata pelo soneto com que brindou este meu blog de sonetos.
O meu fraterno abraço.
Maria João
“Alternativa submersa”
ResponderEliminarA falta de alternativa
Precipita uma solução
Ou deixa-te à deriva
Por ser outra a direcção
Pratica arte da esquiva
Ergue a tua construção
Procura que seja assertiva
Para que não perca razão
Mas dá-lhe forma diversa
Do que possas observar
Sem procurar conclusão
Pois a parte submersa
Podem nem se revelar
E ser a maior revolução.
Ah, Poeta, a alternativa
EliminarA tanta lenta agonia
Impõe que eu não fique viva
À espera de outra avaria.
Realista e objectiva,
Faz pensar que mais valia
Não ter sido produtiva
E antes ter qualquer mania...
Por enquanto, vou vivendo,
Mas se o subsidio não vem
É bom que me vá esquecendo
Desse "bom" que a vida tem,
Pois já vai prevalecendo
Um "mau" que nunca foi bem...
Maria João
Bom dia, Poeta. Este meu sonetilho é especialmente dedicado ao RSI que deveria ter vindo ontem e não veio. A bem dizer, deveria ter vindo no dia 24, mas seria impossível, já que esse dia do mês coincicidiu com um Sábado.
Abraço grande!
“Modo diferente”
ResponderEliminarSão restos de sensibilidade
Dum universo pequenino
Sobras duma humanidade
Que cavou o seu destino
Melhor sorte não teria
Do que deve à própria sorte
Pois melhor nunca seria
Já que a ela impôs a morte
Vê-la-emos renascida
Mas duma nova semente
Nesse parto já sem dôr
E da cinza surgirá vida
Num modo todo diferente
Que se alimentará no amor.
SONETILHO DE CODA
EliminarSei que um dia assim será,
Mas sendo seres racionais
Esse amor produzirá
Razão, em partes iguais,
Porque igual falta fará
Racionalizar bem mais,
Ou tudo descambará
Em explosões, das viscerais...
Neguem-se inveja e ganância
E o vão sensacionalismo
Das mil coisas sem substância,
Ou esse amor "vira" abismo
Que, a curta ou longa distância,
Redunda num paroxismo
De delirante ignorância...
Maria João
Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o abraço grande de sempre!
“Indiferentes”
ResponderEliminarPredomina a indiferença
Neste mundo indiferente
Queremos marcar presença
Bem lá na fila da frente
Os demais ficam atrás
Mas atrás há tanta gente,
Aos outros tanto lhes faz
Um dia será diferente ?
Podemos até acreditar
Mas a realidade prevalece
E a todos nos contradiz
A indiferença veio p’ra ficar
O que uns tanto aborrece
Mas a alguém deixa feliz.
Prof Eta
Não sei se é mesmo indif`rença,
EliminarSe é mera incapacidade,
Ou se é a escolha pretensa
Duma outra realidade
E, por cansar-se quem pensa,
Nem se pensa de verdade...
Eu penso não ser ofensa
Porque o digo sem maldade;
Há gente que fica tensa
Ante a ideia de igualdade
E se prende à velha crença
Da grande disparidade,
Mas eu sempre fui propensa
A pensar na equidade.
Maria João
Bom dia, Poeta!
Cá vai, muito, muito "martelado", o sonetilho possível.
Abraço grande!
“Inconsequente”
ResponderEliminarTodos querem ter razão
Na razão inexistente
Ninguém aceita sanção
A culpa é inconsequente
À boleia da corrupção
Tudo mama minha gente
Desta triste encenação
Espectáculo é deprimente
Mas tudo termina bem
Lá pelo sul a bronzear
Sem que haja demissões
E a seguir como convém
P’ro espectáculo animar
Chegam novas eleições.
Prof Eta
Se há razões pr`a ter razão,
EliminarLembremos a barricada;
De um lado, os que ricos são,
De outro os que não tendo nada
Defendem que a situação
Tem mesmo de ser mudada
Pois mal lhes chega pr`ó pão
E pr`a ter digna morada
Quando é sua a construção
De toda a coisa criada
E foi sempre a sua mão
Que ergueu tudo e já cansada
Viu que isso era a negação
Da justiça apregoada.
Maria João
Bom dia, Poeta! Estou de saída para dar um pouco de apoio moral a uma vizinha amiga que está a passar por um momento difícil da sua vida. Infelizmente não estou em condições de ajudar com grandes trabalhos físicos, mas tentarei estar presente.
Aqui vai com o abraço de todos os dias.
“Sem coração”
ResponderEliminarFoi o povo ao MEO arena
Para angariar um milhão
Surge uma luta obscena
“Devia ser minha a gestão”
É gostosa a gestão do pote
Aquele que contem o mel
A tragédia deu o mote
Mas o espectáculo tem fel
Quem partiu, respeitemos
Quem ajudou, acarinhemos
E poupemos na encenação
Por todos, o mel não lambemos
Senão nem sequer merecemos
Vir munidos dum coração.
Prof Eta
Falhas? Houve-as com certeza....
EliminarPoucas não devem ter sido
E eu não me ergo em defesa
Do que as tenha cometido.
Não se encarem com leveza
As que possam ter havido;
Que não fique a natureza
Como ré do sucedido
Porque a falha é de grandeza
E é enorme o espaço ardido
Nesta terra que, indefesa,
Perdeu vidas e sentido
Pois seus filhos foram presa
De um desastre desmedido.
Maria João
Poeta, tenho continuado a dar a assistência possível à minha vizinha amiga, mas vou ficar sem elevador porque a reparação final vai iniciar-se hoje. Amanhã, bem cedo, tenho consulta hospitalar e não faço ideia das horas a que chegarei. Agora, tenho de levar o lixo para o respectivo local de despejo, antes que o elevador pare de funcionar.
Um abraço grande!
“Atónitos”
ResponderEliminarTemos um Coelho atónito
E um Costa que se eclipsou
Sente-se por ambos vómito
Quem governa e governou
Sente-se o país a afundar
Na imensa maré desgovernada
Para o peditório não querem dar
Antes deram e não deu em nada
Sente-se um presidente entalado
Pois a fabulosa maré cavalgou
Sem perceber a origem remota
Dum país cedo mergulhado
Numa euforia que se instalou
Após a vitória que o derrota.
Prof Eta
Poeta, estou de saída
EliminarPr`á consulta hospitalar...
Tomo um duche de corrida,
Visto-me , vou-me calçar
E aguardo, pronta e vestida,
Que me venham cá buscar
Os bons soldados da vida
Que me hão-de transportar.
A manhã vai ser comprida,
Mas eu sei que hei-de voltar,
Embora um pouco dorida,
Quando a consulta acabar
E a rotina for cumprida....
Só não me posso atrasar!
Maria João
Cá vai, com as minhas desculpas por escrever à pressa e com o abraço de todos os dias.
“Menos que nada”
ResponderEliminarA vida é nada
Tu és menos ainda
Para que sejas mais
Desmaterializa intenções
Produz o verbo activo
Transformado em acções
Fortes e consequentes
Visíveis e produtivas
Para o bem comum
Lembra-te, és menos que nada.
Zé da Ponte
Ninguém é menos que nada,
EliminarNem sequer os grãos da areia
De alguma praia inventada
Pr`a ser berço de sereia,
Ou a palavra encontrada
Para a expressão de uma ideia
E, caso eu não esteja errada,
Errará quem se norteia
Por uma ideia enganada...
Nem nada, nem panaceia;
Somos Vida e a vida brada
Pela vida que a rodeia
Ao longo da longa estrada
Que a completa e que a rastreia...
Maria João
Um abraço grande, Poeta!
DANTES,
ResponderEliminarMINISTRA DA ESCURIDÃO
Uma ministra com cristas,
Em milagrosa assunção,
Quis assumir funções mistas
E em todas foi decepção.
Se farejasse outras pistas
Podia, até, ter razão
E ser, com largas vistas,
Ministra da escuridão…
Agricultura, não temos
Pescas e outras, também não
Ordenamento, ainda menos
Perdoe-me estes dislates
Ministra Dona Assunção
Mas nós nem temos tomates!...
E AGORA,
A ex-ministra Assunção,
Dona de tanta mazela,
Foi pedir a demissão
De dois que são como ela.
Eduardo
Assunção, perdida a crista,
EliminarAnda um tanto atordoada...
Quem sabe Assunção desista
De andar de crista emproada?
Não sou mulher que resista
À bela da desgarrada,
Mesmo estando mal da vista
E não servindo pr`a nada,
Portanto o verso que invista,
Que eu fico à espera, sentada,
Do pouco que à rima assista
Numa resposta acertada,
Que eu sempre fui sonetista,
Muito embora ande calada...
Maria João
Muito grata, Eduardo, pelo seu sonetilho a que tentei responder com outro, que rapidamente passou de tentativa de seguimento do tema a justificação pessoal.
Para si e toda a família, o meu forte e grato abraço.
“Socalcos da razão”
ResponderEliminarMuito mundo no coração
É demais junto ao abismo
Mas tens o mundo na mão
Com um pouco de altruísmo
Que não haja presunção
Nem tão pouco imediatismo
Nem laivos de inquietação
Ou sucumbir ao ostracismo
Que os socalcos da razão
Sejam conselheiros brutais
Em momentos bem precisos
Noutros seja a respiração
Com seus ritmos ancestrais
A avivar os largos sorrisos.
Tenho o universo inteiro
EliminarDentro do meu coração,
Mas sei que o passo primeiro
Pelos filtros da razão,
Ou não fosse ele verdadeiro,
Em vez de mera ilusão...
Se nunca o fiz por dinheiro,
Mas foi por pura paixão
Que o trouxe,inteiro, ao estaleiro
Desta humana condição,
Não pr`a traçar-lhe um roteiro,
Nem por vã contradição,
Mas por vê-lo um companheiro
Nesta Barca em construção...
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vão; o sonetilho possível e o abraço grande de todos os dias!