EXPLICAR-VOS TUDO, NÃO SABENDO COMO...

sinestesia.jpg


 


Quero explicar-vos tudo e não consigo,


Pois falha-me a palavra, o verso manca


E quanto mais tentando ser-vos franca,


Mais sinto que as razões morrem comigo,





Pois se vislumbro o estro, esse estro antigo,


Logo a seguir bloqueio numa “branca”


E o poema que nasce, oscila e estanca


Como se fosse um estranho, um inimigo...





Sei estar precocemente envelhecida,


Falha de vista, pobre e tão dorida


Que nem vou tendo forças pr`a teclar,





Mas como hei-de afirmar que sou poeta,


Não sendo mais do que uma sinesteta


Que por tudo se deixa atrapalhar?








Maria João Brito de Sousa – 08.07.2017 -12.19h


 


 


 

Comentários

  1. Cara amiga poetisa,
    A vida é uma dádiva de Deus que nos submete a experiências por caminhos de flores e espinhos. As flores estão em vossa poesia e os espinhos são encontrados em qualquer caminho.
    A mim, me consolo ao saber que temos duas vidas: uma interior e outra exteriorizada materialmente. Aquela é eterna e esta fugaz.
    Vivemos as duas, uma, agora; a outra, eternamente.
    Que Deus nos abençoe!


    EXPLICAÇÃO DA VIDA

    A vida não é prêmio nem oferta
    Que Deus nos dá em troca do amor,
    Amor talvez que sempre nos conserta
    Como o floricultor trata a sua flor.

    Nenhuma doença é mistério em si,
    Pois Deus sabe curar com sua bondade
    E essa dádiva vem a mim e a ti,
    Mulher que tem no verso potestade.

    Os rumos desta vida são mistérios
    Que surpreendem tanto o coração
    Como esse corpo mesmo já caído.

    Nossa vida é proba em elastérios
    Que vão além do medo e da emoção,
    Tornando o homem sempre retraído.

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    Respostas
    1. Caro poeta amigo Adílio Belmonte, mais uma vez lhe fico muito grata por ter partilhado comigo o seu soneto "Explicações da Vida".

      O meu "Explicar-vos tudo, não sabendo como..." foi, sobretudo, uma tentativa de explicar-vos as minhas prolongadas ausências e uma obviamente frustrada tentativa de dizer-vos que a minha sinestesia, que sempre considerei uma "ferramenta" cheia de potencialidades, começa a ser um forte obstáculo quando se lhe vêm juntar algumas disfunções físicas, tais como a diminuição da acuidade visual, a lentidão de movimentos decorrente de uma natural reacção de defesa do corpo contra a dor física e muitos e crescentes obstáculos de ordem financeira que acabam, todos juntos,por monopolizar as minhas já desgastadas energias.

      Sou, com efeito, sinesteta. Não se trata de uma doença e sim de uma forma diferente e invariavelmente congénita de processar neurologicamente as informações visuais, olfactivas e/ou auditivas. No meu caso, são essencialmente as visuais, o que me passou a inviabilizar a comunicação em espaços sobrelotados de letras e cores.

      Sei que ainda há pouca informação científica de confiança sobre esta mutação neurológica, mas penso que se fizer uma pequena pesquisa no Google sobre a sinestesia, poderá ficar com uma ideia um pouco mais clara sobre o que realmente é ser-se sinesteta, com todas as suas imensas vantagens e, quando se envelhece precocemente, tremendas desvantagens.

      O meu fraterno abraço.

      Maria João

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  2. “Escassez”

    O siresp em Portugal
    Oferece segurança
    Sob a batuta estatal
    Entram todos na dança

    Ninguém aqui fica mal
    É um país com pujança
    Projecção internacional
    Onde nunca se descansa

    Porque o cidadão afinal
    Cumpre a sua obrigação
    Sendo credor d’esperança

    Mas a esperança é terminal
    Pois o crédito da missão
    É escassa em confiança.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. RISCOS MULTIFACTORIAIS

      Que as culpas morrem solteiras,
      Estou eu farta de saber,
      Mas... pr`a não dizer asneiras,
      Falarei do que souber

      E ele há tantas maneiras
      De acusar quem se quiser...
      Pecam por excesso, as rasteiras,
      E eu, cansada de as ver...

      Apontar-se um só culpado,
      Não me "cheira" a racional
      E se o país foi queimado

      Por fogo descomunal,
      Faça-se um estudo cuidado
      E multifactorial.


      Maria João


      Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço grande de todos os dias!

      (anteontem, os amigos do HP fizeram-me uma enorme surpresa e levaram-me ao almoço anual, na Casa de Lafões, em Lisboa. Ainda pensei que pudesse estar por lá, mas não. Não estava...)

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  3. “Antecâmara”

    Não trago nada na manga
    Pois nuzinho aqui cheguei
    Ao partir não vou de tanga
    Porque vivi como um rei

    Levo ouro e diamantes
    Para a antecâmara final
    E nada será como antes
    Pois finto o destino fatal

    Chega a mim a eternidade
    Compro a eterna juventude
    Sem contar nada a ninguém

    Já não seria novidade
    Pois quem a morte ilude
    Vive para sempre bem.

    Prof Eta

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    1. Eu dou-lhe os meus parabéns
      Por ousar fintar a morte
      E por guardar tantos bens
      À espera de ter tal sorte...

      A ti, Morte, que lá vens,
      Digo já não ser tão forte;
      Logo verás que me tens
      Sem bens, mas mantendo o Norte

      Até à minha partida
      Desta desgastada vida
      Que sem bens me vê partir

      O que conta, nessa ida,
      É saber que fui cumprida.
      Sem ter pensado em fugir!


      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aqui vai o sonetilho possível, que traduz aquilo que realmente penso e sinto, o que não quer dizer que a dona morte será muito bem-vinda nos próximos tempos.

      Enquanto me for possível, tentarei manter-me viva, mas... "who wants to live forever?" E, sobretudo, quem pode pensar em iludir a morte, sem a qual a vida jamais se renovaria? Poderei tentar lutar por mais uns anos de vida, mas nunca pela "vida eterna", seja lá isso o que for... sou uma daquelas pessoas que entendem que "o melhor que se leva da vida é aquilo que por cá se vai deixando"...

      Abraço grande!

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