GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE (cinquenta e nem sei quantos...)

Velha com gatos - google.jpg


 


COLHI CACHOS DE SOL


 


Colhi cachos de sol já à tardinha


E juntei-lhe uma fruta bem madura


Com água, gelo e gim. Fiz caipirinha


Que fui bebendo em copos de ternura


 


No olhar ficou em jeito de adivinha


O fulgor que o sol pôs nesta mistura


Senti-me ao fim da tarde uma rainha


Dourada como a mais bela escultura


 


Já a lua vestia de cambraia


Descalça entrei nas ondas duma praia


E apanhei nelas véus de renda fina


 


Cobri o rosto e andei sem rumo exacto


Pensamento vazio olhar abstracto


Nos pés descalços asas de menina


 


MEA


22/07/2017





***********


 


 


FAMILIAR(IDADES)...





“Colhi cachos de sol já à tardinha”,


Gomos de lua cheia e reluzentes


Bagos, desses que brotam duma vinha


De que outros se embebedam, desistentes...





“No olhar ficou um jeito de adivinha”;


Sabes, de saber feito, ou só pressentes,


De mim, quanto era meu? Que me mantinha


Assim, perseverante, entre indif`rentes?





“Já a lua vestia de cambraia”


Quando, no horizonte, o sol desmaia


E, fascinada, então, pelo poente,





“Cobri o rosto e andei sem rumo exacto”


Encontrando um irmão em cada gato


E, em cada cão sem dono, outro parente...








Maria João Brito de Sousa – 26.07.2017 – 11.25h


 

Comentários

  1. Que lindo! Já tinha saudades. Espero que esteja bem. Muitos beijinhos e festinhas

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    Respostas
    1. Olá, Fashion!
      Não estou grande coisa, não, mas fiquei muito contente por ter sentido a compulsão da escrita poética - ou não... - quando já começava a pensar que, desta vez, as circunstâncias tinham mesmo levado a melhor sobre a minha persistência e sobre algum talento que julgo ter...

      Beijinho e festinha para o Lírio!

      Eliminar
  2. “Graça”

    Tudo o que eu quiser
    Deus assim o assinará
    Pois aquilo que vier
    Sempre me bastará

    Será caso para dizer
    Andarei ao Deus dará?
    Sem nunca o perceber
    Ele sabe que assim será!

    Nada tenho a esperar
    A não ser esta missão
    Como recompensa terrena

    E quando a hora chegar
    Aceitarei com paixão
    O poder da graça plena.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu fico em "estado de graça"
      Sempre que um verso me nasce
      E, enquanto o tempo passa,
      Meu amigo, a coisa dá-se,

      Mas se o verso me ultrapassa,
      A minha vida desfaz-se
      E entorna-se a minha taça,
      Como se outro a empunhasse,

      Pois, estando tão limitada,
      Que trabalho poderia
      Tornar-me justificada,

      Se é bem certo que sabia
      Ser feliz, se condenada,
      E, se indultada, vazia?

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o abraço de todos os dias!

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