A SEREIAZINHA
A SEREIAZINHA
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(Soneto em verso hendecassilábico)
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Uma maré-cheia, duas marés cheias,
Três marés tão cheias que já transbordaram,
São as coisas belas que de mim ficaram
(se não forem belas, tão pouco são feias)
*
E caso surgisse galgando as areias
Onda que espantasse gentes que as pisaram
Logo de olhos postos nos que se espantaram
Alguém juraria: - São belas sereias!
*
Mas... coitadas delas, meras invenções
Deste nosso infindo, estranho imaginário,
Cantam nem sei como porque, sem pulmões,
*
Faltando-lhes órgão tão prioritário,
Depressa se esvaem nas contradições;
Na rocha, a sereia sonha um mar lendário.
*
Maria João Brito de Sousa – 15.08.2017 – 10.36h
ResponderEliminarNobre poetisa,
Andar "por mares nunca dantes navegados" é mergulhar no oceano da inspiração. Há ondas fortes que nos enlaça e afoga em versos antes invisíveis que brotam desses mundos desconhecidos.
Adílio Belmonte
Belém-Pará-BRASIL
MINHA SEREIA
Tu és uma pá que me busca arduamente
Sempre que mergulho nesses tristes mares
De agonia da vida que me faz demente
E me transpõe por muitos outros andares.
É dissimulado o teu gesto de amor
Ao me encontrar triste, só e acabrunhado,
Sussurrando o pranto de sólida dor
Que brota já fértil do elo emaranhado.
Que amor desconexo e desiludido!
Ao transparecer em todo esse pranto
Jorrado do acérrimo amar e viver.
Viúva de marido vivo e amor perdido,
Aonde foi morar todo o nosso encanto ?
Será noutros ares, sereia, vou te ver ?
Bom dia, poeta amigo Adílio Bemonte!
EliminarMuito grata por este seu "Minha Sereiazinha", envio-lhe os meus votos de um dia feliz, bem como o fraterno abraço de sempre!
Maria João
“Poema arquivado”
ResponderEliminarCansado do seu defeito
Nasceu poema refeito
Palmilhou seca e meca
Até sentir-se esgotado
Acabou numa biblioteca
Como poema arquivado.
Zé da Ponte
Foi para a biblioteca,
EliminarMas só depois de ser lido
Pois de Seca para Meca,
Não anda o mal conseguido,
Nem o poema que peca
Pela falta de sentido...
Maria João
Bom dia, Poeta! Abraço grande!
“Poema azul”
ResponderEliminarBlá-blá-blá
Blé-blé-blé
Bli-bli-bli
Bló-bló-bló
Blu-blu-blu
Azul.
Zé da Ponte
Seja, então,
EliminarBlá- blá-blé-blé
Bli-bló-bló e até blu-blu
Se a questão é ser azul...
Abraço grande, Poeta!
“Essência”
ResponderEliminarEssência não é a guerra
A essência é o amor
Então porquê na terra
Tanta bomba e horror
A resposta não encerra
Por si só todo o clamor
Mas já a busca descerra
Algo em ti de inovador
Mesmo sendo um guerreiro
Procura caminho verdadeiro
E tudo o que de belo ele traz
Põe a humildade primeiro
Não te detenhas no atoleiro
Busca incessantemente a paz.
Prof Eta
Essência II
EliminarDizem ser o "imutável"
Que constitui cada ser,
Mas acho pouco provável
Que assim se possa dizer
Sendo tudo variável
Segundo alguém saiba ver...
É, no entanto, durável
E devo reconhecer.
Que a essência é mais fiável
Do que a alguém possa par´cer,
Porque bem menos moldável,
Mais dada a permanecer
E, por vezes, insondável,
Mal se pode perceber...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
“Loucos padrões”
ResponderEliminarNormalidade tem feição
Muita face que perdura
Quem é dono do padrão
Ideia feita de sanidade pura
Não falo por suposição
Senão em ideia madura
Se há loucos que o não são
Não devem nada à loucura
E a loucura sem saber
Não é credora de nada
Se nada lhe estão a dever
E a sanidade é devorada
Na hora do deve e do haver
Com loucura será creditada.
PARA UM CORRECTO DIAGNÓSTICO
EliminarJá vai sendo tradição
Falar-se em normalidade,
Mas não há norma padrão
Para tal formalidade...
Prefiro dizer que é são
Quem enfrenta a realidade
E cumpre alguma função
Com empenho e qualidade
Pois se ocorre disfunção
Numa personalidade
Há que ter em atenção
Se a loucura, na verdade,
Vem da pessoa em questão
Ou da própria sociedade.
Maria João
Bomdia, Poeta! Cá vai com o abraço de todos os dias!