O INGREDIENTE PRINCIPAL

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I


Um vinho tinto em vidro transparente,


Um caldo verde espesso, fumegando,


Um pão que sabe e cheira ao gesto quente


Das mãos que o vão partindo e partilhando.


 


II


Um copo que se entorna, de repente,


A sopa na terrina, já esfriando,


Brotam palavras da fornalha ardente


Dos gestos doces que as vão convocando.


 


III


Dois corpos que se enlaçam, se dobrando


Sobre uma mesa que já vai sobrando,


Matam a fome que se torna urgente,


 


Esquecidos, ambos, de que estão jantando,


Porque esse abraço foi-se transformando


No mais apetecido ingrediente.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 21.08.2017 – 16.26h


 


(Resevados os direitos de autor)

Comentários

  1. “Ligações neuronais”

    Chegado ao ponto zero
    Duma existência banal
    Muito mais não espero
    Desta crise existencial

    Consigo ver no espelho
    Embora vá vendo mal
    Uma sobra de trambelho
    Onde vai faltando o sal

    Flui um imenso cansaço
    Pelas ligações neuronais
    É deixá-lo então fluir

    Não me moam o cachaço
    Que eu não aguento mais
    Permitam-me só existir.

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    1. Chega ao zero e recomeça
      De uma forma natural;
      Não há nada que o impeça
      E ninguém lhe fará mal...

      Se lhe doer a cabeça,
      Tome um chá com Melhoral
      E pode ser que se esqueça
      Da ligação neuronal...

      Eu, moê-lo, não tenciono
      E, muito pelo contrário,
      Vou respeitando o seu sono

      Não lhe impondo um calendário
      Pois, Poeta não tem dono
      E não é discricionário.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de sempre!

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  2. (Resevados os direitos de autora)

    Consegui ler com melodia ( deve ser outro tipo de construcção silábica ? )

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    1. Ahahahahah... não, Poeta, não é para ter melodia, essa frasezinha...

      Já ouviu falar dos "cleptomaníacos do património cultural" (vulgo, plagiadores)? É apenas para tentar evitar que partilhem os poemas sem colocar o nome do autor (da autora, neste caso...) , ou para que, como já acontecia com os poetas da minha infância, não substituam o nome do autor pelo seu, ou por outro qualquer...

      Outro abraço!

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    2. Eu serei anónimo, nunca coloquei nome em nada, sei que são de minha autoria porque estão ali nos blogs. Pouco importa no meu caso, não sou poeta nesse sentido, apenas tento exteriorizar ideias no papel.

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    3. Tem todo o direito de se manter anónimo, Poeta... além do mais, tem a sua profissão, não faz da poesia um trabalho a tempo inteiro, como eu faço porque não tenho condições físicas para fazer mais nada.

      Exceptuando algumas evidentes brincadeiras poéticas, eu invisto num trabalho literário, sobretudo ao nível do soneto.Não me limito a exteriorizar ideias no papel ou no ecrã e embora conhecendo bem as mil e uma subtilezas do soneto desde a minha infância, procuro estar em "formação contínua", também no campo da linguística.

      Outro abraço grande!

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