SE EU PUDESSE, NÃO PODIA

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(Soneto em decassílabo heróico)





Se eu pudesse despir-me de razões,


Minhas asas ao vento deitaria


Ou, mesmo desasada, voaria


Sem rumo, sem destino e sem paixões.





Mas tem, este meu “se”, contradições;


Eu sei lá se a paixão me moveria


Nesse acto de voar, nessa ousadia


De rebelar-me contra as convenções?





Confesso que já houve ocasiões


Em que qualquer paixão me perderia


E, não fora a razão, despir-me-ia





Cedendo às ilusórias tentações...


Mas vem pôr-me, a razão, novas questões


E, afinal, se eu pudesse... não podia!


 





Maria João Brito de Sousa – 18.08.2017 – 11.23h


 

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