UM MOSQUITO NO COPO DO LEITE (em cem palavras)

MOSQUITO.jpg


UM MOSQUITO NO COPO DO LEITE


*


 


Neste copo de leite anda um mosquito!


Que falta de cuidado e de respeito


Por parte de quem faz, do leite, um mito,


Por parte de quem vê, no mito, um feito!


*





- Senhor, peço um favor, não fique aflito


Que eu salvo a situção de qualquer jeito!


Vou buscar outro copo e não repito


O erro de o deixar no parapeito...


*





- Ao erro cometido, lho credito


E juro que não peco por defeito,


Pois posso garantir que assim que o fito


*





Vejo alguém que não faz nada direito


E está mais que ditado o veredicto:


Mosquitos no meu copo... nunca aceito!


*


 


Maria João Brito de Sousa -04.08.2017 – 10.18h


 


NOTA - De visita a um blog amigo, fiz algo que muito raramente faço; cliquei no "nick" de um dos comentadores e, de acaso em acaso, acabei por ir dar a um blog que propunha uma história sobre um mosquito num copo de leite, em setenta e sete palavras.


A curiosidade foi grande e não pude resistir à tentação de conseguir um soneto perfeito com as tais setenta e sete palavrinhas... não alcancei o objectivo. Em poucos minutos percebi que teria de optar entre um soneto muito, muito manco e um verdadeiro soneto, mas composto por cem palavras.


Escolhi este último e espero a vossa compreensão, bem como a compreensão do/a "blogger" que lançou a ideia.

Comentários

  1. Amiga, cada odor atrai um inseto, mosquitinho ou piriquito. Na poesia cada poeta atrai o verso que vai mostrar o seu universo.
    Saúde, paz e amor para a dileta amiga, de tão perto e tão longe.

    Adílio Belmonte,
    Belém-Pará-BRASIL



    UM MOSQUITO EM MEU LEITE

    Fui bem amamentado quando infante
    Desde os primeiros dias desta vida
    Sofrida e difícil, mas radiante
    E de saudade sempre comovida.

    Da recordação acre do mosquito
    Em meu leite ainda guardo a saudade
    Do tempo tão distante e já prescrito
    Quando de flores era a minha idade.

    O leite o tempo virou por sua vez
    Depois de o inseto o saborear
    E rumo ao desconhecido voltar.

    Ao chegar com saudade, ou talvez
    Birra, e ao copo de leite se assentar
    O mosquito vem já se revoltar.

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    Respostas
    1. Bom dia, poeta amigo Adílio Belmonte!

      Esta ideia de um mosquito num copo de leite, não é minha; foi encontrada por mero acaso quando cliquei no "nick" de um comentador de um blog que pertence a um amigo. O objectivo seria construir uma pequenina história usando setenta e sete palavras e... não resisti à tentatação...mas não atingi oobjectivo e fiquei-me pelas cem palavras.

      Fico-lhe muito grata pelo soneto que me enviou e retribuo com o meu sempre fraterno abraço,

      Maria João

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