MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

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MEMÓRIAS


DE UM


NÁUFRAGO PERFEITO
*


 


Do vento que sopra, da proa que afunda,


Do mastro partido, do leme encravado,


De ouvir os gemidos do velho costado


Da barca que oscila, bojuda, rotunda,
*


 


Na crista da onda, no mar em que abunda


Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,


Escondido na espuma, submerso, acoitado


Em água que a Barca julgava profunda...
*


 


De tudo me lembro, se bem que já esteja,


No tempo passado, submerso também


E seja esta imagem longínqua o que eu veja
*


Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,


Apenas a sombra que passa e festeja


Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.
*


 



Maria João Brito de Sousa


11.01.2017 - 10.52h


***
(Soneto em verso hendecassilábico)


 


Ao meu avô poeta, António de Sousa


 

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