GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Mãos
DEI VOZ ÀS MINHAS MÃOS
Dei voz às minhas mãos num fim de tarde
Quando o sol ao cair no azul do mar
Parece que se ateia e depois arde
Nas águas onde prendo o meu olhar
Vestiram gestos mansos sem alarde
E falando ao teu corpo devagar
Numa voz calma quase que cobarde
Por ele se deixaram encantar
Libertados que foram os seus medos
Sussurraram palavras e segredos
Bailando no silêncio da atmosfera
Já no horizonte o céu enegrecia
Porquanto o sol ali se despedia
Calou-se então a voz que às mãos eu dera
MEA
2/10/2017
A CAMINHO DO INEVITÁVEL FIM DE TARDE
Por muito que adiasse a voz crescente,
por muito que, hoje ainda, eu a resguarde,
a voz do sonho ousou passar-me à frente,
“Dei voz às minhas mãos num fim de tarde”
E nunca mais, de mim, tornada ausente,
que a voz das minhas mãos não mais retarde
palavras mil, que tão precocemente
“Vestiram gestos brandos sem alarde”
Livres do pseudo-sonho que os tolhia
enquanto, passo a passo, eu mal crescia,
“Libertados que foram os seus medos”,
Deixaram de iludir-se. São brinquedos,
ilusões de uma infância. Mal nascia,
“Já no horizonte o céu enegrecia”.
Maria João Brito de Sousa -04.10.2017 – 11.01h
As agruras da vida
ResponderEliminarem verso de fazer uma vénia
à inspiração...
Um bom e feliz fim de Semana
Beijinhos
Um bom e feliz de semana também para ti, Anjo! Obrigada, pelo que respeita aos catorze versos do meu soneto glosador
EliminarBeijinhos
“Não sinto”
ResponderEliminarO mundo não é perfeito
E ninguém o aperfeiçoa
Estou como que desfeito
Sinto o mundo rodar à toa
Sinto sua alma sem jeito
Por muito que isso nos doa
Sinto um decisivo efeito
Da sua entranha que troa
Não sinto, nem vejo ninguém
Que aposte na sementeira
Desse mundo que há-de vir
Não sinto, nem vejo além
Ideia de humanidade inteira
Não sinto, nem a vejo sorrir.
Não tenho estado por cá,
EliminarNem lhe pude responder...
Desculpe esta sorte má;
Desculpe-me, se puder,
Este andar de cá pr`a lá
Nos dias de não comer.
Fui de carro, claro está,
E lá cheguei a correr.
Não são fáceis de entender
Os dias acelerados
Que hoje estamos a viver,
Mas somos nós os "culpados";
Somos, sem chegar a ser,
Animais nunca acabados...
Maria João
Bom dia, Poeta! Só agora lhe pude responder pois não tenho estado em casa durante o dia e, à noite, já mal consigo ver o que vou escrevendo...
Abraço grande!