CONVERSANDO COM ALDA PEREIRA PINTO

ENCONTRO CASUAL.jpg


 


 


SONATINA XII (do livro "Treva Branca")








É bom que eu viva ao léu, pois me acostumo


à solidão que assusta a quem não crê,


pois se de algum receio eu sou mercê,


passeio, canto e ando, rio e fumo.





Num certo dia que virá, presumo,


não tendo amigos nem sequer você,


talvez que eu me lamente, só porque


a sorte não nos pôs no mesmo rumo.





E, se ao chegar a hora em que se apaga


a luz da vida, uma saudade vaga


quiser velar na minha soledade,





ouvidos não darei ao seu alento,


porque saudade é sempre sofrimento


por mais que seja alegre uma saudade.





Alda Pereira Pinto





Brasil





Soneto recolhido no blogue “O Secular Soneto”


 


 


**********








ENCONTRO CASUAL DE DUAS SOLISTAS


 


 



Não passeio, nem canto. Escrevo e fumo


enquanto grafo um verso... talvez dois...


outros doze, a jorrar, virão depois


completar-me o soneto em que me assumo


 


Reflexo de um poema – ou seu resumo... -


nos estilhaços em que o desconstróis,


honesto, firme, não sonhando heróis,


de ti colhendo o fruto. A polpa. O sumo.


 


Vi-te por mero acaso. Este soneto


foi o ponto de encontro, o mar secreto


onde já de partida eu navegava


 


Quando te vi passar rebelde, agreste...


Olhei-te fixamente, mas nem deste


por mim, que estranhamente em ti me olhava.


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.12.2017 – 09.00h


 


Portugal


 


 


 


 


 

Comentários

  1. O raio do tempo
    no seu lugar por elemento
    faz-nos as traquinices do sentimento...

    Beijinhos e uma feliz noite descansada
    e agasalhada

    Brrrrrrr que tá frio e Nevoeiro por cá

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    1. Bom dia, Anjo!

      Obrigada por gostares deste meu encontro pontual com um soneto da falecida poetisa Alda Pereira Pinto.

      Muito frio e muita chuva por aqui, também,... pelo menos para mim que, neste momento, mais pareço uma enorme trouxa de roupa ambulante...

      Beijinhos

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    2. Bom e feliz fim de Semana
      com saude

      Beijinhos

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    3. Bom fim-de-semana também para ti, Anjo. Obrigada!

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  2. “Minhocas”

    A minhoca rastejante
    Descobriu seu paraíso
    Era local deslumbrante
    Interdito ao prejuízo

    Entrou nele vibrante
    E no seu perfeito juízo
    Viu o inferno de Dante
    Deste mundo indiviso

    Com o dito fez um pacto
    Pois com seu ar angelical
    Não levantou suspeição

    Foi este o primeiro acto
    Duma ligação umbilical
    Que durou até mais não.

    Prof Eta

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    1. EM DEFESA DOS LABORIOSOS ANELÍDEOS

      É bicho laborioso,
      A minhoca de que fala
      E, neste mundo enganoso,
      Não tendo fato de gala,

      Tem trabalho rigoroso;
      Lavra a terra até torná-la
      Húmus rico que, viçoso,
      Torna o fruto que o regala.

      Pode o homem ficar grato
      Às minhocas verdadeiras
      Por detrás de cada prato;

      Essas são trabalhadeiras
      E não fazem nenhum pacto,
      A não ser com sementeiras.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Não pude deixar de sair em defesa das verdadeiras minhocas que são preciosos auxiliares do ser humano no cultivo da terra.

      Abraço grande!

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