DEIXAI QUE A NOITE ENTRE...

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(Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)


 


***


 


Deixai que a noite entre, que eu morro de sono


E em doce abandono me entrego a Morfeu,


Que, tal como eu, nunca ousou ser meu dono,


Só dono do sono que me adormeceu


 


 


Num berço só meu, neste suave abandono...


Se abuso e ressono, que o faça só eu


Na noite de breu em que ao dia me abono


Se embarco sem dono, sem sonhos, sem véu,


 


Nem medo escusado das coisas do escuro;


Não sei que futuro, mas trago um passado


E ao que houve de errado tornei já seguro


 


Pois, saltando o muro, deixei-o de lado,


Perdido, olvidado. Amigos, vos juro


Que o meu sono é puro, nunca amargurado...


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 28.12.2017 – 13.59h


 


 


 


Na sequência do soneto “Deixai que a Noite Entre!” de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)


 


Imagem -"Le Berceau", Berthe Morrisot


 

Comentários

  1. Uma boa e feliz noite então
    que dormir cura as maleitas
    que ao tempo estão sujeitas

    Beijinhos de aqui dos Calhaus da Serra

    ( raio de frio que me deixa sem brio )

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    Respostas
    1. Bom final de tarde também para ti, Anjo.
      Não é nada simpático, este friozinho, sobretudo para quem não tenha lareira com bom escoamento de fumos garantido, nem fortunas para pagar a conta da energia eléctrica...

      Beijinho!

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