DEZ ANOS DE SONETOS ONLINE

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 Hoje, dia do décimo aniversário deste blog, a reedição da primeira publicação.


 


Maria-Sem-Camisa


 


 


Maria-Sem-Camisa, a sem dinheiro


Que passa pela vida ao Deus-dará,


Tem fama de ser dura e de ser má


Mas é, tão só,  poeta a tempo inteiro.


 


Maria vai plantando em seu canteiro


Sementes de si mesma ... o que não há,


Engendra-o Maria, e tanto dá


Ter pouco se tão rica foi primeiro.


 


 Maria-Sem-Camisa planta ideias


 E disso vai colhendo o seu sustento


 Sem cuidar da chegada ou da partida,


 


 Porque os frutos colhidos são candeias


 E estrelas a luzir no firmamento


 Da órbita em que traça a sua vida.


 


 


 


 Maria João Brito de Sousa, 14.01.2008 - 21.15h

Comentários

  1. 10 anos, Maria-Sem-Camisa?

    E um soneto é como o amor
    não há nada como o primeiro

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    1. Já dez anos, sim, Rogério... mas este não foi o primeiro dos meus sonetos, embora tenha sido o primeiro a ser publicado em blog.
      Ao primeiro, já lhe perdi o rasto. Só sei que o manuscrevi em Abril de 2007...

      Forte abraço

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  2. E como o tempo passa MJ

    Parabéns
    um dia feliz desejo eu
    e muita saúde pra outra meta de mais 10.

    Beijinhos e uma boa e agasalhada Semana

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    1. Passa o tempo e passamos nós com ele, Anjo, rsrsrs... ainda me custa acreditar que já lá vão dez anos de sonetos online, assim, naquilo que, à primeira vista, parece um quase nada...

      Que tenhas uma excelente semana, Anjo!

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  3. “É o sol“

    Espelhado na ondulação
    Luz da lua ao cair da noite
    É o fruto da imaginação
    Até onde esta se afoite

    É tudo mais porque não
    E agora quero ser nada
    Não pensar na situação
    Quero ser apenas estrada

    Pisa apenas meu caminho
    Imagina o que te aprouver
    Mas não retenhas a lição

    Pode ser um porco-espinho
    Pode estar onde ele quiser
    Mas não picar tua mão.

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    1. Pode ser o Sol, a Lua,
      Uma estrela, um porco-espinho,
      Alguém que passa na rua,
      Uma pedra do caminho,

      Uma vida que se estua,
      Uma flor, um passarinho,
      Um martelo, uma gazua,
      Uma flor de verde pinho...

      Porque havia de picar-me,
      Essa coisa ou esse alguém,
      Se antes pudesse falar-me

      E mostrar,como convém,
      Sem motivos para alarme,
      Que se vier, vem por bem?

      Mª João

      Cá vai, Poeta, muito ao correr das teclas e sem filtros, o que, assim, de repente, me ocorreu responder-lhe.

      Bom dia e um abraço grande.



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  4. “Serão os loucos felizes?”

    Corri como um louco
    Amei como um louco
    Treinei como um louco
    Comi como um louco
    Dancei como um louco
    Sinto-me louco e feliz
    Serão os loucos felizes?

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Poeta, eu encaro a loucura como uma patologia e com muita seriedade, embora as expressões que utiliza tenham uma conotação bem diferente...

      Mas vou já até à Ponte.

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  5. “Twittemos“

    A incapacidade instalou
    Sua versão no universo
    O conhecimento corou
    Já nem existia disperso

    Cada responsável twittou
    Uma ideia e o seu inverso
    É o estado a que isto chegou
    Sem que se adivinhe regresso

    O exemplo devemos seguir
    Façamos nossa esta bandeira
    Ou sua asneira redobremos

    Muitos twitts devemos parir
    Tudo a bem da bandalheira
    Twittemos, twuittemos, twittemos.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Recuso-me a twittar!
      Já estou dispersa que chegue,
      Mais não me vou dispersar;
      O recado fica entregue

      E se alguém quiser negar,
      Não há razão pr`a que o negue
      Pois nem chego a lá entrar,
      Só o meu blog o consegue...

      Cansada de dispersões,
      Sigo as minhas convicções;
      Só produzo poesia.

      Cá tenho a minhas razões;
      Já não entro em confusões
      E respeito a melodia.

      Mª João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre.

      Eu não "twitto" mesmo, é o meu blog que envia automaticamente as minhas publicações para o "Twitter". Estou velha e doente e a poesia clássica exige tempo, aprendizagem contínua e muita reflexão. Quanto menos me dispersar, melhor . Sei que o "futuro" vai exigir à esmagadora maioria da espécie humana, muito movimento, muita acção e pouca reflexão, mas eu já não pertencerei a esse futuro. Cabe-me apenas analisá-lo com a maior objectividade possível, já que os tempos andam propensos a grandes pandemias de injustiças, meias verdades e terrores colectivos.

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  6. “Slow”

    Slow J
    Slow food
    Slow me
    Slow thinking
    Slow the world
    Improve us
    Against all ods.

    Zé da Ponte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não vai ser assim, Poeta, não vai ser assim... mas que estamos a mudar, estamos. Against all ods.

      Vou à Ponte.

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  7. “A plebe“

    Quarenta eram demais
    Ali Bábá já o dissera
    Vieram outros que tais
    E a ladroagem impera

    Não existem dados reais
    Toda a cadeia se supera
    Actua nos dados globais
    Vês o gatinho e não a fera

    São sedentos da riqueza
    Que afirmam não existir
    Pois o país é um condado

    Muita plebe na pobreza
    Sente o seu sangue esvair
    E não questiona este dado.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Ah, o dado é questionado
      E até apontado a dedo
      E, às tantas, é transformado
      Em piadola-brinquedo.

      Fica, assim, aliviado
      O que, antes, metia medo
      E no centro, ou no mercado,
      Tudo se esquece: - "Inda é cedo

      E a vidinha continua!
      Estava tão bonita a lua
      E, hoje, o sol tão desmaiado...

      Mas quem não deve, não teme
      E homem que é homem não geme
      Por sentir-se vigiado."


      Mª João

      Bom dia, Poeta.
      Desculpe, isto vai escrito à pressa pois tenho nova avaliação de INR daqui a pouco e vim ao computador apenas para partilhar o Avante.

      Abraço grande.

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  8. Parabéns pelo aniversário.
    E que conte mais dez, com saúde igual ao talento.
    Saudações poéticas.
    Francisco

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    Respostas
    1. Muito grata, amigo Francisco.

      Retribuo as saudações poéticas , bem como os votos de continuação de um bom e inspirado trabalho.

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