NOUTRO LAPSO DE TEMPO

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NOUTRO LAPSO DE TEMPO


 


Acordo como as aves libertadas


do suavíssimo amplexo de Morfeu,


mas só dois cotos de asas depenadas


me restam pra tentar sondar o céu,


 


Ou ir poisar nas telhas assentadas


por outros que são aves como eu...


Já só palavras trago... e desgastadas


e fartas de saber que o risco é meu.


 


Sou livre e, em simultâneo, a prisioneira


que, sujeita a viver desta maneira,


desmente tudo aquilo que não tem


 


E enquanto alguns não sabem que fazer,


sei quanto faço pra sobreviver,


sei quanto peno por não ser ninguém.


 


Maria João Brito de Sousa


 


20.03.2018 – 11.12h


 


Escrito na sequência da leitura do soneto “Num Lapso de Tampo”, de Albertino Galvão


.


.


 

Comentários

  1. As agruras são mesmo assim
    um soneto sem fim

    Boa e feliz noite de aqui dos Calhaus frios
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Boa e serena noite para ti também, Anjo.

      Por aqui não se vê neve, mas faz um friozinho de rachar

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    2. Boa e feliz noite
      é o que posso desejar
      aconchegada
      que o Verão virá

      Beijinhos de aqui e boa e feliz noite

      Eliminar
    3. O VERÃO VIRÁ E EU FAREI O (IM)POSSÍVEL POR ESTAR CÁ PARA O RECEBER

      FELIZ NOITE, ANJO!

      Eliminar
    4. Bom e feliz dia
      de preferência em alegria
      e sorriso

      beijinhos de aqui

      Eliminar
    5. Bom dia, bom dia, Anjo!

      Hoje o sol brilha por aqui, ainda que esteja frio...

      Bjinhos

      Eliminar
  2. Esquece o céu

    "dois cotos de asas depenadas"
    quase sempre chega
    se asas tens
    para te levar
    até onde chega o poema

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Rogério.

      Mas não posso esquecer o céu das anãs-brancas e dos buracos negros... reacendeu-se-me uma paixão que desde menina andava a par e passo com a Biologia e a Medicina; a da Astronomia.

      Mas uma só vida seria sempre curta para tantas paixões e eu já nem tenho olhos que me permitam ver nitidamente o pequenino satélite natural da Terra. Vejo-a desfocada e multiplicada por três vultos brancos e brilhantes.

      Vou lendo o que posso, mas também o exercício da leitura passou a ser uma tarefa dura e espinhosa e até a escrita do soneto mudou de cheiro, textura e sabor, já que perdi a capacidade de escrever à velocidade do pensamento .

      Não mais navegadora de vela panda e sem força para a chicotada compassada dos remos, a minha barca é agora uma mera casquinha de nós.

      Vale-me não ter medo de nenhum hipotético Adamastor.

      Abraço.

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