"IMAGINE"

IMAGINE
*
Imagine-se a dor da companheira,
Da mãe que o concebeu, da sua irmã,
A angústia da família, toda inteira,
Que foi vê-lo partir nessa manhã,
*
Imagine-se a bela cigarreira
De que Pessoa fala, intacta e vã,
Caída mesmo ali, à sua beira,
Como um grito de paz na terra chã.
*
Imagine-se o todo, em pormenor;
A surpresa, a revolta, o espanto, a dor
E o buraco negro que os sucede
*
Imagine medir, se capaz for,
A grandeza, o tamanho desse horror
Que eu tenho para mim que se não mede...
*
Maria João Brito de Sousa – 16.04.2018 – 13.11h
*
NOTA - Na sequência da leitura de um poema homónimo de António Manuel Esteves Henriques
Sentimento a cada passo de tempo
ResponderEliminarserá a nossa saga
a cada breve momento
Bom e feliz dia de Soile
Podemos imaginá-la- a essa saga.. - mas não medi-la, se por ela não tivermos passado...
EliminarObrigada, Anjo!
também
ResponderEliminarBom dia alegria
ResponderEliminarnos desejos de um bom e feliz dia
beijinhos de aqui dos Calhaus
Bom dia, Anjo, que o meu vai ser muito atarefado e vou ter de sair, possa ou não possa.
EliminarBeijinhos
Depois de 4 anos ausente, fico feliz por ver que afinal nem todos abandonam os blogs.
ResponderEliminarParabens.
Bem re-vindo sejas a este espaço onde o soneto se cruza com a dimensão da liberdade, FreeStyle.
EliminarNão imagino
ResponderEliminartoco
pois teu poema
todo ele
é tangível
até mesmo quando falas do horror
que não se mede
Obrigada, Rogério. Foi-me nascendo assim, de uma assentada, quando eu menos esperava escrevê-lo.
EliminarEste horror não se mede, não, mas pode tocar-se, tal como aconteceu contigo.
Abraço-te.
"Disperso"
ResponderEliminarA realidade nefasta
Que destroi a realidade
Do meu ser se afasta
Por não ver nela verdade
Transporto minha canasta
Sem um pingo de vaidade
Tem tudo quanto me basta
Sem marca de ansiedade
Realidades aos pedaços
Servidas em tod’o preceito
Com estilhaços de vidas
Não as acolho em meus braços
Não lhes encontro muito jeito
Não são as minhas preferidas.
Não me posso dispersar
EliminarPor aqui e por além,
Já estou velha para andar
Nesse apressado vaivém
E o risco de não voltar
Faz-me pensar muito bem;
"Hoje vou fazer-me ao mar
Sem abalroar ninguém."
Vaidosa nunca serei,
Mas posso sempre orgulhar-me
Das mil vezes que embarquei
Nesta barca de ocupar-me
Do muito pouco que sei
E que ninguém vai roubar-me.
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vou na minha velha, cada vez mais velha barca, cada vez menos capaz de manobras arrojadas, mas ainda razoavelmente funcional
Abraço grande!
Bom dia bom dia
ResponderEliminarem alegria
e toda a fantasia de
beijinhos de aqui
Bom dia, Anjo. Que o dia te seja propício!
EliminarBeijinhos