NAQUELA NOITE

NOITE.jpg


 


Naquela noite, toda a noite riste.


Eu, mera narradora do que observo,


Observava-te inteiro, nervo a nervo,


Curiosa, inda que absorta, inda que triste.





Naquela noite, nem sequer me viste,


Não foste o meu senhor, nem o meu servo,


Foste a razão de ser do que eu preservo


E o pouco que de ti em mim persiste.





Não sei do que falaste. Eu não falei.


Olhei-te tanto quanto a mim me olhei


No espelho do teu sono e do teu riso





E quanto mais te olhava, mais preciso


Se me tornava olhar-te como olhei,


Nessa noite em que riste e eu não chorei.








Maria João Brito de Sousa – 10.04.2018 – 11.11h


 

Comentários

  1. A escuridão da noite
    é no que dá...

    Boa e feliz tarde
    noite sossegada desejo eu também
    Beijinhos de aqui friosos brrrrrrrrr

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também está muito friiio por aqui, Anjo



      Feliz tarde para ti, também. Bjinhos

      Eliminar
  2. “Mundo inteiro”

    O Lula está na prisão
    E o povo brasileiro
    Refém da corrupção
    Desde Janeiro a Janeiro

    Não vislumbra solução
    Só existe o deus dinheiro
    Assim toda uma nação
    Iguala-se ao mundo inteiro

    E a malta cá da terra
    Já procura uma saída
    Lá no confim do sistema

    Em Marte em breve aterra
    Vai fazendo a despedida
    P’ra fugir a tal dilema.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quando um sonho cai vencido,
      Outro se apressa a apanhá-lo;
      Tudo o mais fará sentido,
      É preciso é começá-lo


      Pois , se for de bom tecido,
      Bastar-nos-á passajá-lo,
      E envergá-lo, qual vestido...
      Ao sonho, basta sonhá-lo.

      Quanto a ir da Terra a Marte,
      Não vejo inconviniente
      Porque a Ciência, como a Arte,

      É património da gente...
      Eu só temo pela parte
      Da escolha, feita à tangente.

      Maria João

      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  3. Boa e feliz noite aconchegada
    desejo eu de aqui

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, bom dia, Anjo, desejo eu agora, já que ontem não tive ensejo de te desejar uma serena noite

      Eliminar
  4. Correspondendo
    à lei da eletrostática
    talvez a mais enigmática
    lei da física
    teu soneto
    não mais que afirma
    que são os de diferentes sinais de carga
    aqueles que mais se atraem

    todos os sinais iguais se repelem

    por isso
    quando estás triste, rio
    e
    enquanto rio, choras

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Seja, se foi essa a tua leitura, Rogério.

      Neste soneto, escrevi a direito por linhas tortas; tem muitas leituras possíveis, mas debruça-se essencialmente sobre as diversas formas e graus de intensidade do olhar sobre o outro, o próximo, o irmão, o camarada. Olhá-lo no contexto actual que prima por estar cada vez mais polarizado entre o riso e as lágrimas.

      Eu, aqui, para mim, não existo senão como narradora/observadora. O outro é todo o ser humano, homem ou mulher, pouco importa.

      Mas pode perfeitamente ser tudo o que tu entendeste. É um daqueles poemas que aguardam com curiosidade a interpretação do leitor.

      Abraço grande

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER