CONVERSANDO COM ALBERTINO GALVÃO - VALORES

Picasso - self portrait 1907.jpg


 


FALO DO QUE SINTO


 


(soneto hendecassílabo com rimas encadeadas)


 


 


Já mortos, no tempo, andam os valores


mas nascem “senhores” neste nosso chão


que serão, ou não, por formação doutores...


porém... estupores?!... Isso eu sei que são!


 


Com ou sem razão, a esses tais “senhores”


chamo ditadores e aos que a eles dão,


por bajulação, aplausos e louvores


chamo de impostores! Digam lá que não!?


 


Sempre fiz questão de escrever de falar...


sem medo apontar injustiças que vejo


jamais p’lo desejo de ser aclamado...


 


foi-me já legado! Sem me comparar


a Ary vou gritar, porque nele me revejo,


não sou nem almejo ser vate castrado!


 


 


Abgalvão


 


...*…


 


 


TAMBÉM DO QUE SINTO, FALO!


 


 


Também do que sinto falo sem pudor,


Sem mudar de côr. Sobre essas, não minto,


Nem douro, nem pinto valor que é valor,


Nem que erga o teor à dor que hoje consinto


 


 


E que evito e finto, seja como for...


Sem um só rubor, direi tudo o que sinto


Sem branco nem tinto que altere o sabor,


Melhor ou pior, do que é claro e distinto.


 


Fujo ao tal estrelato que não me seduz,


Que sempre reduz a memória do facto


Ao mero aparato de uns jogos de luz...


 


Isto me conduz e portanto delato


Maldade, mau trato e quanto os traduz


Porque os reproduz sem um termo... e a contrato!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa 


18.06.2018 – 12.38h


 


 


Pablo Picasso - Self Portrait, 1907


 

Comentários

  1. Gostava de fazer uma Revolução
    mas de tão maltratado
    este País de desagrado
    onde o equitativo é farsa em mais um Fado
    pouca esperança haverá
    em ilusórias e sucessivas abusivas
    de e por cá...

    Lembrava-me do teu quadro "Ensaio sobre a Cegueira"

    Boa e feliz tarde
    beijinhos e muito Sol, mas sem escaldões

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    Respostas
    1. Eu posso nem ver o Sol e estar encafuada num colete de ferro, mas ainda acredito que ele, um dia, brilhará para todos nós, Anjo

      Quem me dera poder fazer mais do que lançar palavras como quem lança armas... mas não posso e lançar palavras sempre é melhor do que nada...

      Boa, feliz e ensolarada tarde para ti!

      Beijinhos!

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  2. “Flutua”

    Deixa o espírito partir
    Liberta-te da corrente
    Vai na barca a sorrir
    Será nova tua mente

    Se a névoa persistir
    Tornando-se insistente
    Nunca penses desistir
    Rema forte, vai em frente

    O luar alcançarás
    E com ele o sol nascente
    Transformará tua dor

    E a ninguém recusarás
    Esta fórmula diferente
    Na partilha do amor.

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    Respostas
    1. FLUTUANDO

      Está novinha, a minha mente,
      Porque embora muito usada,
      Nunca esteve assim doente,
      Nem se sente aprisionada.

      Só o corpo se ressente,
      Que a coluna fracturada
      Tortura profundamente...
      Não é a mente a culpada,

      Já que o corpo inda sustém;
      Sem ela, não sou ninguém,
      Mas com ela inda me sinto

      Bem capaz de ir mais além,
      Flutuando, se convém,
      Mas num fluxo bem distinto...

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aqui vai com o forte abraço de sempre!

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