CONVERSANDO COM JOAQUIM SUSTELO - TEMPO

spitzweg-carl-o-poeta-pobre-1839.jpg


 


MURMÚRIOS DO TEMPO


 
Às vezes há murmúrios pelo tempo…
O vento geme em portas e janelas
As nuvens dissimulam as estrelas
O sol fica sem brilho, pardacento



O céu muda de azul para cinzento
A chuva traz-nos novas aguarelas;
Mudando a Natureza as suas telas
Talvez ela até faça algum lamento


 
Porém o tempo chora e há beleza
No cinza de que veste a Natureza
Embora haja uma bruma no seu rosto


 
Serão choros do tempo, de tristeza?
Há tratos que lhe damos com rudeza
Talvez haja no choro algum desgosto...


 


 


Joaquim Sustelo


 


(editado em MURMÚRIOS NO TEMPO)


 


...* ...





SILÊNCIOS DO TEMPO





Outras vezes o Tempo silencia


As vozes murmuradas dos poetas,


Guardando-as em caixas tão secretas


Que nem um adivinho as acharia





E ninguém sabe por que as guardaria,


Por que razão as cala se, directas,


Essas vozes se erguiam muito erectas


No tempo em que o poema resistia.





Lamentos, ou sorrisos, ficam mudos


Nas gavetas dos linhos, dos veludos


E das sedas que o Tempo resguardou





Dos humanos ouvidos, quais riquezas


Que se tornassem bem guardadas presas


Do silêncio a que o Tempo as condenou.








Maria João Brito de Sousa – 17.06.2018 – 14.47h


 


 


Imagem - O Poeta Pobre - Carl Spitzweg


 

Comentários

  1. Só falta uma Viola
    e uma Guitarra também
    em trinados de Fado dedilhados
    a duas vozes mais que ninguém...

    Boa e feliz noite
    beijinhos de aqui dos Calhaus

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois falta, mas eu é que não sei tocar instrumento nenhum... Bom, saber, saber, sei . Sei tocar Soneto, mas poucos entendem que o soneto pode e deve ser tratado como um conjunto de notas musicais, rsrsrs... ora deixa cá ver; toco soneto em verso eneassilábico, sonetilho - em redondilha maior -, soneto em verso heróico (decassilábico), soneto em verso hendecassilábico, quase sempre com rimas intercaladas/encadeadas e toquei uma única vez um soneto alexandrino. A estes últimos, posso gostar de os ouvir, mas não gosto mesmo nada de os compor...nem de os tocar.

      Eis o único instrumento que eu sei tocar, Anjo; a minha língua materna.

      Serena noite para ti. Bjinhos.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas