CONVERSANDO COM JOAQUIM SUSTELO - TEMPO

MURMÚRIOS DO TEMPO
Às vezes há murmúrios pelo tempo…
O vento geme em portas e janelas
As nuvens dissimulam as estrelas
O sol fica sem brilho, pardacento
O céu muda de azul para cinzento
A chuva traz-nos novas aguarelas;
Mudando a Natureza as suas telas
Talvez ela até faça algum lamento
Porém o tempo chora e há beleza
No cinza de que veste a Natureza
Embora haja uma bruma no seu rosto
Serão choros do tempo, de tristeza?
Há tratos que lhe damos com rudeza
Talvez haja no choro algum desgosto...
Joaquim Sustelo
(editado em MURMÚRIOS NO TEMPO)
...* ...
SILÊNCIOS DO TEMPO
Outras vezes o Tempo silencia
As vozes murmuradas dos poetas,
Guardando-as em caixas tão secretas
Que nem um adivinho as acharia
E ninguém sabe por que as guardaria,
Por que razão as cala se, directas,
Essas vozes se erguiam muito erectas
No tempo em que o poema resistia.
Lamentos, ou sorrisos, ficam mudos
Nas gavetas dos linhos, dos veludos
E das sedas que o Tempo resguardou
Dos humanos ouvidos, quais riquezas
Que se tornassem bem guardadas presas
Do silêncio a que o Tempo as condenou.
Maria João Brito de Sousa – 17.06.2018 – 14.47h
Imagem - O Poeta Pobre - Carl Spitzweg
Só falta uma Viola
ResponderEliminare uma Guitarra também
em trinados de Fado dedilhados
a duas vozes mais que ninguém...
Boa e feliz noite
beijinhos de aqui dos Calhaus
Pois falta, mas eu é que não sei tocar instrumento nenhum... Bom, saber, saber, sei . Sei tocar Soneto, mas poucos entendem que o soneto pode e deve ser tratado como um conjunto de notas musicais, rsrsrs... ora deixa cá ver; toco soneto em verso eneassilábico, sonetilho - em redondilha maior -, soneto em verso heróico (decassilábico), soneto em verso hendecassilábico, quase sempre com rimas intercaladas/encadeadas e toquei uma única vez um soneto alexandrino. A estes últimos, posso gostar de os ouvir, mas não gosto mesmo nada de os compor...nem de os tocar.
EliminarEis o único instrumento que eu sei tocar, Anjo; a minha língua materna.
Serena noite para ti. Bjinhos.