LEDO, LEDO ENGANO...

LEDO, LEDO ENGANO.jpg


 


LEDO, LEDO ENGANO...


*





(A História, na perspectiva do povo conquistado)


*





Venho falar do ledo, ledo engano


dos feitos mais que gastos, desgastantes,


de uma vã glória que só trouxe dano


a povos e mais povos, tão distantes...


*





Camões cantou Neptuno, mas Vulcano


foi quem dizimaria os habitantes


de civilizações que, ano após ano,


foram tombando às mãos dos navegantes.


*





Doenças, preconceito e escravidão,


foram minando povos. A prisão


que era imposta ao nativo e ao seu destino,


*





Fez do seu chão um chão de reclusão


e, não mais sua, a própria fruta-pão


lhe foi roubada. Em nome do Divino.


*








Maria João Brito de Sousa – 10.06.2018 – 13.47h


 


 



NOTA – Salvaguardando todo o imenso respeito e admiração que nutro pela poesia épica do enorme Luís Vaz de Camões, lembro que a História veste sempre duas capas; a do conquistador, que prevalece, e a do conquistado, quase sempre silenciada.


 


 


 


 

Comentários

  1. Falar de Camões
    em soneto
    é
    um admirável feito

    quanto à tua nota, recomendo-te a leitura integral do discurso de Jorge de Sena
    (o link está lá, no lugar que sabes)

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    1. Já o estou a ler, Rogério, já o estou a ler na íntegra. Sim, a minha nota vai perfeitamente ao encontro da mensagem que Jorge de Sena nos deixou.

      Abraço-te.

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  2. Pois foi
    mas agora já não
    os tempos enganam-nos
    com o coração, seja em que razão
    e este teu Poetar digo eu
    é inspiração...

    Beijinhos e um bom e feliz dia

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  3. “Acharei”

    Um dia vão dar razão
    A uma razão qualquer
    Por se levar à exaustão
    Tudo achar e nada saber

    Eu achei este sermão
    Aqui ao lado do meu ser
    Mas foi na televisão
    Que o pude entender

    Havia dez especialistas
    Que muita coisa achavam
    Sem cair em contradição

    Assim fiz as minhas listas
    Onde já se contemplavam
    Vastos leques de opinião.

    Prof Eta

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    1. TALVEZ ACHE, OU... TALVEZ NÃO

      Não ouvi esse sermão,
      Mas prometi procurá-lo...
      Muito embora o faça em vão,
      Também vou, decerto, achá-lo.

      E, caso o não ache, então,
      Posso sempre adivinhá-lo
      Sem tirar os pés do chão,
      Que, ao chão, há que conquistá-lo...

      Ele há tanto especialista
      Da conduta e da conquista
      Desta nossa opinião,

      Que eu quero manter a minha
      Mais recatada e sozinha,
      Longe da televisão...

      Maria João


      Bom dia e um abraço grande, Poeta


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  4. “Ideário”

    O previlégio de pensar
    Sobrepõe-se à existência
    Não sei como o explicar
    Mas faz tu a experiência

    Sentes uma ideia chegar
    Sem que haja evidência
    De onde podesse brotar
    Não lhe anules a essência

    Entrega-a a um ideário
    Que dela saiba cuidar
    Não sei que frutos dará

    Mas se fizeres o contrário
    Podes essa ideia matar
    Também ela te matará.

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    1. Faço-o desde que nasceu
      Em mim essa consciência,
      Mas paro quando Morfeu
      Me concede a sonolência

      E, num sono apenas meu,
      Modifica essa exp`riência
      Com que a tempo intercedeu
      Sobre a minha humana essência.

      Sempre à noite me renovo,
      Nunca à noite me reprovo
      E acordo naturalmente

      Quase sempre bem desperta
      E de mente bem aberta
      Ao que se pensa e se sente.


      Maria João

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  5. “Saber em contra mão”

    A ignorância é um posto
    Pois permite avançar
    Muito mais que o suposto
    Sem o receio de errar

    E tudo o que é proposto
    Estás disposto a analisar
    Ainda que p’ra desgosto
    Ao lixo possa ir parar

    Mas na certeza porém
    Da conclusão incorporar
    Vasto leque da solução

    E não há o risco também
    Do ignorante poder chocar
    Com o saber em contra mão.

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    1. Se a ignorância for posto
      E nos der algum estatuto,
      Não sinto qualquer desgosto
      Em recusar-lhe o produto

      Já que na Ciência aposto
      E, em meu último reduto,
      Não me privo desse mosto,
      Nem me esquivo do seu fruto...

      Não sei se ando contra-mão;
      Guiada pela Razão
      Sigo a minha consciência

      Que, questão sobre questão,
      Se pesquisa à exaustão
      Tal como o faz a Ciência.

      Maria João


      Bom dia, Poeta. Estou atrapalhada porque tenho um parafuso disfuncional... mas não no juízo, que esse vai bem e recomenda-se É o meu colete de Jewett que tem um parafuso solto na parte superior, a que me imobilizava a coluna cervical, sob o queixo.

      Agora é que não posso mexer-me nem um bocadinho, ou isto desmantela-se tudo.... respondo-lhe em posição de sentido, quase sem poder ver as teclas ... abraço grande!

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  6. E a Menina
    não está doentinha da noitada
    com Lisboa toda engalanada brinco...

    Bom e feliz dia em alegria
    Beijinhos de aqui, que Sábado
    há desfile das Marchas de S. João por cá

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    1. Nem vi Lisboa, Anjo... o meu colete de Jewett é que está com um parafuso desenroscado.
      Vou ver o teu desfile, mas tenho de ficar em sentido. Mal posso respirar para que isto não caia tudo...

      Feliz dia para ti

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  7. “Ser infinito”

    Eu parto da estaca zero
    É meu ponto de partida
    Mas isto é porque quero
    Chegar ao fim da subida

    Consegui-lo eu espero
    E depois entrego a vida
    Mas p'ra vos ser sincero
    Não realizarei despedida

    Partilho as continuidades
    Deste meu ser infinito
    Com frutos assinaláveis

    Não usem como verdades
    Aquilo que tenho dito
    Pois são ditos refutáveis.

    Prof Eta

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    1. SER POETA

      Parta lá de onde partir,
      É sempre muito bem-vindo
      A descer, ou a subir,
      Nesse tal caminho infindo

      Que acaba de referir...
      Do meu, também não prescindo
      E enquanto o puder abrir,
      Tudo o que encontro, deslindo.

      Se por vezes é confuso
      E me salta um parafuso
      (ao colete, não a mim...)

      A deter-me eu me recuso,
      Procuro dar-lhe bom uso...
      Que assim seja, até ao fim!

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aqui vai, com o meu abraço de sempre!

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