... ME APAGO, SE ACESA...

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… ME APAGO, SE ACESA...








O crime das horas, nestas horas minhas,


É, quais libelinhas, quais aves canoras,


Serem sedutoras, mas também daninhas,


Não para estas linhas dardejando auroras,





Mas para as penhoras dos reis, das rainhas


Que deixam sozinhas as mãos produtoras,


Essas, sim, senhoras dos trigos, das vinhas,


Das frutas fresquinhas sempre tentadoras...





Deixando-me ilesa, correm muito lestas,


Passam pelas frestas, sopram sobre a mesa,


Levam de surpresa rascunhos, palestras...





São vivas arestas às quais fico presa;


Fundem-me à certeza de etéreas orquestras,


Estas horas. Nestas, me apago, se acesa.








Maria João Brito de Sousa – 19.06.2018 – 19.42h


 


 


 


Soneto dedicado ao poema O CRIME DAS HORAS, de António Codeço.


 


 


 


 

Comentários

  1. Bom fim de Semana
    boas ondas e calores de Verão
    viva o S. João
    e as Alfacinhas mais que ninguém
    também...

    Boa e feliz noite de aqui dos Calhaus
    beijinhos

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    Respostas
    1. Viva o São João e vivam as alfacinhas, Anjo, rsrsrs

      Que tenhas um bom fim-de-semana que eu continuo nesta hirta pose de dama-de-ferro que já não pode com o ferro que traz às costas... e ao peito

      Na falta de carapaça, fica uma carapuça de ferro, rsrsrs...

      Beijinhos

      Eliminar
  2. “Espiral criativa”

    Sociedade plastificada
    Com coração distraído
    Ama realidade forjada
    Já devíamos ter sentido

    A sinusoide aumentada
    Amplifica todo o ruído
    Faz razão ficar toldada
    E o norte anda perdido

    Hemisférios baralhados
    Bloqueiam introspecção
    Nasce a espiral criativa

    Somos todos mobilizados
    Para a busca da solução
    Enquanto se anda à deriva.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Está fortemente incrustada
      Nos genes do ser humano,
      A espiral que é mencionada
      E que roda ano após ano,

      Mais e mais desenrolada,
      Quer cause ou não cause dano...
      Nunca pára, pois parada
      Só traria desengano.

      Também é introspectiva,
      Muito embora sempre activa
      Não se canse de rodar...

      Mais se afasta da raiz,
      Mas nunca nos contradiz
      Nesta fome de mudar...

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai com o forte abraço de sempre!

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