A SONETISTA DA TRISTE FIGURA

A SONETISTA DA TRISTÍSSIMA FIGURA
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De mãos erguidas, mais ergo o nariz...
Olha-me a Musa muito atarantada
Que não percebe nada do que fiz
E que se afasta, atónita, assustada.
*
Que coisa estranha!, é tudo o que me diz
Quando me vê de pé, toda enlatada;
- Ó musa, também eu fico infeliz,
Mas há boas razões pra tal cegada;
*
Fiquei quebrada ao meio. Esta armadura
Promete-me uma cura... ou meia cura,
Que hão-de ficar sequelas por curar...
*
É incómoda, é feia, é muito dura,
Põe-me nesta tristíssima figura,
Mas pode ser que eu volte ao meu lugar...
*
Maria João Brito de Sousa – 05.07.2018 – 14.03h
“Degrau a degrau”
ResponderEliminarTudo um dia se esvai
Mas tudo se pode criar
E o ego para onda vai
Se não se pode matar
Será para o Monte Sinai
Onde é árduo o caminhar
Mas por isso caminhai
Prá montanha encontrar
Da cegueira à indiferença
Tod’os degraus são em vão
Só o degrau da verdade
Se eleva sobre a diferença
E faz sobressaiar a união
Em prol da multiplicidade.
Prof Eta
Será que o Ego subsiste
EliminarÀ matéria decomposta?
Eu cá não sei se resiste
Nem, sobre isso, faço aposta,
Embora me sinta triste
Por não dar-lhe uma resposta,
Mas a dúvida persiste
E toda a Razão me a mostra...
Na Verdade há perspectivas,
Pontos de vista, ilusões
E tendências emotivas
Que projectam distorções
E mil sombras subjectivas
Nas suas (des)construções...
Maria João
Cá vai o meu sonetilho-resposta, como sempre escrito sobre o joelho, Poeta! Um abraço grande!
Deixa, há quem use e se farte de usar
ResponderEliminarCómoda, bela, e nada dura,
Sendo outra a tristíssima figura,
Onde nada se encontra que invejar...
(eu sei que não é consolação
mas foi a quadra
que estava
mais à mão)
E fez muito bem, que uma quadra é sempre muito bem-vinda a este blog.
EliminarAgradeço e deixo um abraço.