EM CONTRA-MÃO

Eu, em 2012.jpg


 


EM CONTRA-MÃO


 


Também amei demais, se é que isso existe...


Mas, se isso existe, então amei demais;


Amei como quem prova e não resiste,


Amei como um mortal ama imortais.


 


Amei-te na alegria. Amei-te triste.


Amei-te sempre em doses desiguais


Que fui servindo enquanto as não puniste


Com desculpas, nem com condicionais.


 


Amei-te sempre até que desististe


De reparar nuns tantos ideais


Que pra ti preparei, mas que nem viste.


 


Amei-te em silenciosos rituais


Duma eloquência que me não pediste,


Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h


 


 


Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.


 


 

Comentários

  1. E viva o Amor
    e o fim de Semana também
    que por aqui temos alegria noite dia

    Beijinhos e um bom e feliz fim de Semana sossegado

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    1. Bom dia, bom dia, Anjo!

      Que tenhas um muito feliz fim-de-semana! Beijinhos!

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  2. "Cocktail hemisférios"

    Hemisfério poderoso
    Será esquerdo ou direito
    Não estou muito cioso
    É o que levares a peito

    Da esquerda é fabuloso
    Se as contas te dão jeito
    Da direita misterioso
    Mas nunca será perfeito

    Com ambos a trabalhar
    Ignorando a lateralização
    É explosivo o resultado

    Posso até comprovar
    Que houve um’explosão
    E tudo ficou misturado.

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    Respostas


    1. Numas coisas, ao direito,
      Noutras, ao esquerdo me dou,
      Mas num cocktail assim feito,
      Já nem sei dizer quem sou,

      Nem sequer se tenho jeito,
      Ou se o jeito me passou
      Ao pôr o colete ao peito
      Quando o peito não gostou...

      Temporal/atemporal,
      Abstracto-conceptual,
      Linear ou mesmo holísta

      Serei sempre racional
      E só não sou radical
      Pra não perder-me de vista...


      Maria João


      Boa noite, Poeta! Este vai em co-autoria com o João Pestana, mas a verdade é que ainda não consegui decidir-me acerca da minha lateralidade dominante, embora seja claramente dextra na escrita, na pintura e em tudo quanto implica o uso da motricidade fina.

      O problema é que os hemisférios não definem apenas esse tipo de lateralidade e se é certo que faço questão de andar sempre com os pés bem assentes na terra - o que pressupõe uma predominância do hemisfério esquerdo -, não é menos verdade que crio poemas como se não houvesse amanhã, o que pressupõe a predominância do direito. E muitos outros factores me conferem ora a predominância de um, ora a do outro.

      Acho que vou ter de consultar um amigo que é perito em ... hemisfériografias

      Abraço grande!

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  3. "A verdade da mentira"

    Só não sou radical
    Pra não perder-me de vista
    Só não vai tudo mal
    Porque comprei a revista

    Destino não é fatal
    Por muito que insista
    E quando leio o jornal
    Notícia já fôra prevista

    Espécie de publicidade
    Da sociedade anunciada
    Pelos média empoderados

    Quais reis da veracidade
    Aos quais não escapa nada
    Os quais dormem acordados.

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    Respostas
    1. "Aos quais não escapa nada,
      Os quais dormem acordados"
      Dia e noite, de assentada,
      Pra nos terem ocupados...

      Trama urdida em chapa errada,
      Lá ficamos empolgados;
      Quanto mais sobrar "porrada"
      Mais nós, os desinformados,

      Confundimos o real
      Com a mera fantasia
      E o grande capital,

      Dando cartas de alforria,
      Tempera as f`ridas c`o sal
      Dos destemperos que cria!

      Maria João

      Desculpe, Poeta! Só agora encontrei este seu sonetilho... outro grande abraço!

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  4. “The sky isn’t blue”


    The pigs are all different
    And some look like you
    When your brain is absent
    And you think you are the truth

    Shame on you little pig
    Shame, shame, shame on you
    Just because you think you are big
    Just because you think the sky isn’t blue.

    Zé da Ponte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Do you blame the pigs
      For things they can`t see?
      For eating their figs?
      For looking like me?

      How come? How to blame
      That innocent pig?
      Why pointing his shame
      For wearing a wig?

      Maria João

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