...MEU TEJO, MEU TEJO...

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...MEU TEJO, MEU TEJO...


*





Por tudo te beijo, por nada te abraço,


Te sorvo em melaço, te solto em solfejo


Louco de desejo, tonto de embaraço


Por quanto te abraço quando te não vejo.


*





Se acaso gracejo, com graça te enlaço;


Com desembaraço te aponto e cortejo


E nem te protejo de um mal que não faço,


Meu Tejo já baço, meu Tejo, meu Tejo...


*





Na terra moirejo, nela me desfaço


De um corpo já lasso que, mal ou bem, rejo,


Mas fosses tu, Tejo, e teu cada traço


*


Da ruga ou do escasso mas longo bocejo


Que evoco ou que invejo ao teu próprio cansaço...


Pedaço a pedaço me (a)fundo em ti, Tejo!


*





Maria João Brito de Sousa – 06.07.2018 – 16.33h
































 

Comentários

  1. “Carta de corso”

    Louros da vitória almejo
    No respeito plo adversário
    Pilhar por pilhar não desejo
    Pois tenho carta de corsário

    Grande festa no fim antevejo
    Tendo o rum por corolário
    Nunca aguardo um ensejo
    Não sou pirata de aviário

    Tenho artes d’espadachim
    Não tenho pala na vista
    Na prancha não faço dançar

    E a festa termina assim
    Sem uma hora prevista
    Mas sempre à luz do luar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Eu não sei se sou corsária,
      Mas... louros, nunca almejei,
      Pois nunca fui perdulária
      E, aos que tinha, em mim guardei.

      Talvez por causa arbitrária,
      Ou porque nunca verguei,
      Tive sorte bem contrária;
      Com louro, a sopa temp`rei

      Quando à fórmula binária
      Toda inteira me entreguei
      E de prancha mais sumária

      Certo dia me atirei;
      Nos versos me fiz tão vária
      Quanto os versos que engendrei...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre e um tanto à pressa, pois tenho de me preparar para duas consultas...

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  2. “Naturezas”

    Dádiva da natureza
    Tem uma visão imensa
    Oferece a sua beleza
    Sem esperar recompensa

    Nunca partilha tristeza
    Sabe que o amor compensa
    Até mesmo na incerteza
    Qualquer mérito dispensa

    Já a natureza humana
    Podia esta lei adoptar
    Mas segue sendo diferente

    Há no hálito que emana
    O espírito de se apropriar
    Do que nunca será da gente.

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    Respostas
    1. Naturezas II

      É pródiga, a Natureza,
      Mas pode ser bem cruel...
      Mesmo exaltada em beleza,
      Cumpre o seu duro papel

      Por vezes com tal rudeza
      Que devasta, num tropel,
      Apanhando de surpresa
      Quem dela provara o mel...

      Sendo neutra, é-lhe indif`rente,
      Matar muita ou pouca gente;
      Faz o que tem a fazer.

      Darwinismo social?
      Poeta, não leve a mal,
      Mas tal não posso escolher!

      Maria João

      Bom dia,Poeta! Se há quem ame perdidamente a Natureza, eu sou uma dentre esses, mas... a Natureza é neutra em termos de amor e cumpre-se através de uma justiça que conheço bem, mas que sei ser cruel, segundo os nossos humanos parâmetros. Também sei que isto é mais complicado do que o que parece e pode parecer paradoxal, mas estou de saída para duas consultas e não posso explicar-me melhor.
      Abraço grande!

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