MIGRANTES

MIGRANTES
Fazem-se ao mar em barcos de brinquedo,
No mar deixam o sonho, a esp`rança, a vida;
É o mar quem acolhe e dá guarida
Ao seu silêncio e à dor do seu segredo.
Que Adamastor os não aponta a dedo?
Que tempestade aguarda essa partida
E que morte os não espera, bem escondida
Na lâmina aguçada de um rochedo?
Fazem-se ao mar de um sonho que os olvida
E, se chegam à praia prometida,
Quem os vem receber é sempre o medo;
Onde encontrar a paz que foi perdida,
Onde encontrar a esp`rança destruída,
Onde ancorar, depois de um tal degredo?
Maria João Brito de Sousa – 01.07.2018 – 11.35h
Portugal dos pequenitos,
ResponderEliminarTodo em belas miniaturas,
Não aflige os mais aflitos,
Nem faz del`s caricaturas...
Tem requinte, tem "bonitos"
Edifícios - não esculturas -
E, em recantos interditos,
Tem até bênçãos dos curas...
Se de cegueira falamos,
Também a caminho dela
Vão os olhos que tenhamos,
Vai o pincel, vai a tela,
Vão as cor`s com que a pintamos,
Vai toda a nossa mazela.
Maria João
Cá vai,Poeta, escrito em co-autoria com Morfeu, numa posição quase inimaginável - porque tenho de estar com o nariz empinado, mesmo que isso me aumente as dores... - e muito,muito cansada depois de mais um dia no hospital. Abraço grande!
Busco novas soluções
ResponderEliminarPra velhas dificuldades
Entre estranhas contorsões
E outras excentricidades.
De mim falo e das razões
Que me deixam entre grades...
Peço mil e um perdões
Por esquecer atrocidades
Por instantes, ou por horas,
E por perder-me em demoras
A escrever toda empinada
Segundo me foi prescrito
Por receita, ou plebiscito,
Pra coluna fracturada...
Maria João
Cá vai, Poeta, o meu primeiro sonetilho escrito numa posição francamente caricata, com o computador encarrapitado no alto de uma enciclópedias e outros dois livros e com os braços no ar, para poder estar de "nariz empinado" conforme me foi recomendado na consulta de trauma-Ortopedia.
Abraço grande!