NOUTRAS "GRUTAS", MUNDO AFORA...

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NOUTRAS “GRUTAS”, MUNDO AFORA...


*


 


Nem todos os medos moram numa gruta...


Companheiro escuta; por quantos degredos,


Sem tecto ou brinquedos, sem sopa nem fruta


E tratado à bruta, não passa o que em credos


*


Esconde os seus segredos no seio da luta?


E esse que labuta e que fere os dedos


Nos rijos penedos duma terra enxuta,


Sem colher folguedos, como se em recruta


*


 


Sem alternativa, vivesse hora a hora


Para quem o explora, sem cuidar que viva?


Esse, o que se priva, esse, o que se ignora


*


O que nada implora e na dor que o criva


Espelha a mãe nativa que o beija e que adora,


Pondo nesse “agora” vida e perspectiva...


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 08.07.2018 – 15.09h


 


 


 


(Soneto hendecassilábico com rima encadeada/intercalada)


 

Comentários

  1. Beleza de palavras
    tuas escravas, hé hé hé Brinco

    Boa semana e um xoxo fofo de aqui

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    Respostas
    1. Olá, Anjo!

      Olha que não sei... não sei se são elas que são minhas escravas, ou se sou eu que sou escrava delas, rsrsrs... mas se for eu, não me importo de o ser

      Feliz dia que eu estou a tentar preparar-me para duas consultas... raio de coisa que nem chego aos meus próprios pés, é cá um desconchavo para vestir umas calças...

      Beijinhos

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  2. “Na gruta”

    Aprendamos a meditar
    Antes d'estarmos na gruta
    Para se um dia ela chegar
    Ser equilibrada a disputa

    Aprendamos a confiar
    No amor como batuta
    Pra que floresça o pomar
    Repleto da melhor fruta

    Em tempos de incerteza
    Em tempos de escuridão
    Que a paz possa vencer

    Impondo-se com firmeza
    Ante a maior explosão
    Que esteja pr'acontecer.

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    Respostas
    1. Presa e bem presa estou eu
      Num colete de incertezas
      Que o velho hospital me deu
      (eu não tinha prás despesas...)

      E medito com Morfeu,
      Sem pensar nas asperezas
      Que a vida me concedeu;
      Dou folga às velhas tistezas.

      Em grutas, não posso entrar...
      Veja bem, mal posso andar,
      Quanto mais ter aventuras

      Que não as do tal pomar
      Onde me ponho a cuidar
      De versos de outras texturas...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, já meio assinado pelo João Pestana, que é o primo pobrezinho de Morfeu

      Coube-me a sorte de, em cima de tudo o mais, apanhar uma gripalhada de Verão e estou com uma dor de cabeça que não desejaria ao diabo, nem mesmo se nele acreditasse. Abraço grande!

      Eliminar
  3. “Instantes”

    Podemos sempre acreditar
    Nesses anjos vigilantes
    Cuja vida têm para dar
    Abnegados e constantes

    Não que se queiram matar
    Pra se verem importantes
    Mas é uma forma de estar
    Pois a vida é de instantes

    Formados numa cadeia
    Que nos foi oferecida
    Tendo por base o valor

    Fruto do esforço da aldeia
    Ao preparar-nos prá vida
    Em micro instantes d’amor.

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    Respostas
    1. Que os instantes possam ser
      Cada dia um pouco mais!
      Que del`s possamos colher
      Mais instantes fraternais.

      Que cad`homem ou mulher
      Consiga ver, nos demais,
      O que em si consegue ver
      Da vida e dos seus sinais

      E que de uma vez se entenda
      Que é melhor tirar-se a venda
      Das mil visões distorcidas

      Para que bem mais se aprenda
      E possa alargar-se a senda
      Das nossas pequenas vidas.

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com outro abraço grande!

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  4. Respostas
    1. Bom dia, Poeta.

      É bem verdade... tantas, tantas grutas, mundo afora... podem vestir diferentes roupagens e sufocar de diferentes maneiras, mas todas são ciosas das suas vítimas.

      Abraço grande.

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  5. Um excelente poema, uma denúncia pertinente de outras situações, outras crianças, outros penares a que ninguém parece dar crédito. Obrigado Maria João.

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    Respostas
    1. Sou eu quem lhe agradece a leitura e as certeiras palavras aqui deixadas, Elvira.

      O meu forte abraço!

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