TAÇAS FRUTADAS, CHAVES ENCANTADAS E MEADAS DE PONTAS SOLTAS

O FIO DA MEADA.jpg



TAÇAS FRUTADAS, CHAVES ENCANTADAS E MEADAS DE PONTAS SOLTAS


*





Na taça frutada que aqui me serviste,


Deixaste, e nem viste, a chave encantada


Da porta selada que em versos abriste...


Ah, quem lhe resiste? Nem eu que pasmada


*


Lhe pego enlevada por saber que existe


E apenas consiste num fio de meada


Já desenrolada, sem fim que se aviste...


Puxei-o. Resiste por tudo e por nada,


*





Mas, mais concentrada, retorno. Fugiste?


Não, não te sumiste, nem eu estou cansada


De puxar meada que nunca desiste...


*





Não ficarei triste, que assim fui fadada;


De chave encontrada, o direito me assiste


De provar que existe porta adequada.


*


 





Maria João Brito de Sousa – 06.07.2018 – 12.38h


 





Escrito na sequência do soneto PRIMAVERA EM VERSOS FRUTADOS, de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)


 


 

Comentários

  1. "Filosofia de cordel"

    “Tempera as f’ridas c’o sal
    Dos destemperos que cria!”
    Se distingue o bem do mal
    Pra não entrar em agonia

    Mas se o bem é essencial
    Dilui-se no dia a dia
    Já o oposto é fulcral
    Pra criar aquilo que cria

    Uma estranha sensação
    De descontrolo emocional
    Ao pisar esta realidade

    Alternativas onde estão?
    Estão em rasgar o jornal
    Fazendo apelo à filosofia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. À Filosofia apelo,
      Bem como à minha razão...
      Nisso sempre me desvelo
      E ponho toda a atenção,

      Que a vida, como um novelo,
      Desdobra-se em cada mão;
      Tu enrolas-me e eu revelo
      Pontas soltas pelo chão..

      Pontas soltas de um cordel
      (as tais chaves encantadas),
      Desenlaço-as num tropel

      De ideias, nas cavalgadas
      Que me of`rece o meu corcel
      De crinas alvoroçadas...

      Maria João

      Outro forte abraço, Poeta!

      Eliminar
  2. Momentos de inspiração
    que fazem o Verão
    um sorriso alegre

    Beijinhos e um bom e feliz Domingo

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

A GESTAÇÃO DO POEMA

SONETO IMPUBLICÁVEL

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha