VELADA VISTA VEDA-ME A VISÃO

Marc Chagall - the-promenade-1918.jpg


 


VELADA VISTA VEDA-ME A VISÃO
*


 


Velada vista, veda-me a visão.
Vagas vogais vou vendo vagamente.
Voejam, vertem, vagam... voarão
Vigas e várzeas, verdadeiramente?



*
Vejo verde/vermelho. Vejo em vão?
Vestígios, viscos, velas e videntes...
Víboras voam vindas do vulcão,
Vermes vomitam vergonhosamente.



*
Vou vendo, vou... vi vadiar o Verão,
Voluptuoso, válido varão... 
Vê-lo-ei vicejar vibrantemente?



*
Viçoso o vi dos vidros das varandas;
Vivas vergônteas, velhas venerandas
Viraram vultos. Verga-se-me o ventre.


 


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 18.07.2018 – 17.31h
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Marc Chagall - The Promenade

Comentários

  1. Há que afinar as Lunetas hé hé hé
    brinco no desejo de um bom e feliz dia...

    Beijos de aqui

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    1. Tanto quanto sei, há é que mandar as cataratas às urtigas, Anjo... mas que ainda têm de crescer um pouco mais, dizem-me...

      Bom dia, bom dia!

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  2. “Varandas”

    “Nas varandas do Dafundo…”
    Deu-me forte sim senhor
    Foi um balanço profundo
    Desde o luar ao sol pôr

    Acordei lá bem no fundo
    Como se poderia supor
    Depois parti para o mundo
    Todo o que estava ao redor

    Mas no mundo insuficiente
    Fui ficando aprisionado
    Sem uma fronteira definida

    Descobri outro diferente
    Onde não estou confinado
    Pró qual estou de partida.

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    1. BARCA(S)

      "Pró qual estou de partida"
      (quanto mais tarde, melhor,
      qu`inda me fascina a vida...)
      E vou, seja quando for.

      Se às vezes andei perdida
      Por mor de algum dissabor,
      Depressa encontrei saída
      (ficar presa era o pior...)

      Mas este mundo é tão vasto,
      Tão enorme, tão infindo,
      Que nunca o concebo gasto,

      Embora me vá fugindo...
      Pego no leme, ergo o mastro
      E todo o rumo é bem-vindo!

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com outro abraço grande!

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  3. “Castrense”

    “Pego no leme, ergo o mastro
    E todo o rumo é bem-vindo!”
    Solto amarra e dou lastro
    Deste porto vou partindo

    Minha cabana por um castro
    Chão pó, tecto colmo e rindo
    Posso rir sem ser emplastro
    Posso ser emplastro sentindo

    Posso sentir o universo
    No pulsar do firmamento
    Posso sentir e não pensar

    Pensar de modo diverso
    E julgar que o momento
    Não é momento de julgar.

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    1. FRAGMENTO(S)

      "Não é momento de julgar"
      Quando o momento não for
      De a vela se desfraldar
      Num navio que anda...a vapor.

      Mas se às amarras soltar,
      Pode vir o Adamastor
      Que eu não vou nem vacilar,
      Sigo! Ignoro o que é temor.

      Pulsa, pulsa, firmamento,
      Pulsa mais, que eu tudo aguento,
      Até ter prova em contrário...

      Pulsa o mar e pulsa o vento
      E todo e qualquer fragmento
      Fica mais que fragmentário ...

      Maria João


      Cá vai outro abraço!

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  4. “Formolizada”

    “Fica mais que fragmentário…”
    Fica a mente fragmentada
    Fica inscrito no anuário
    Que a mente está acabada

    Bem guardada num armário
    Em formol acondicionada,
    Era um génio seu usuário…
    Foi mil vezes estudada

    Do estudo nada saiu
    Pois as mentes estudiosas
    Ficavam-lhe a anos luz

    Mas o que ninguém previu
    Foi que um milhar de prosas
    Nem um poema produz.

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    1. POETIZADA

      "Nem um poema produz",
      Mas eu, em compensação,
      Estando muito aquém da luz,
      Produzi mais de um milhão, rsrsrs...

      Porque o poema seduz
      E desdobra-se em canção
      Que, por vezes, nos conduz
      Além da própria exaustão...

      À poesia cheguei,
      Que eu mesma o testemunhei,
      E fiquei logo encantada.

      Um génio nunca serei,
      Mas decerto escaparei
      A ficar "formolizada", rsrsrsrs...

      Maria João

      Cá vai outro, Poeta!

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  5. "Esmolando"

    “A ficar “formolizada””
    Escapou em boa hora
    Senão não daria em nada
    Toda a poesia de outrora

    Por dentro cristalizada
    E cristalizada por fora
    Sempre de perna cruzada
    Lá onde outro génio mora

    É no cima dessa rua
    Garret mais propriamente
    Onde está e não se amola

    Se a mente não fosse sua
    Talvez tivesse outra mente
    Lhe desse pra pedir esmola.

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    1. À ESPERA QUE A COISA ABRANDE


      "Lhe desse pra pedir esmola",
      Ou mesmo ser assaltante
      Dos que não usam pistola
      Nem tem "naifa" por garante...

      Deu-lhe pra ser militante
      Desta Língua sem bitola
      E criou um ego errante
      Que arrancou dessa cartola.

      Desdobrou-se como poucos,
      Que entre poetas e loucos
      Nunca a dif`rença foi grande

      E hoje, de perna cruzada,
      Contempla a dor camuflada
      À espera que a coisa abrande...

      Maria João

      Isto é que desgarrada sem fim, Poeta!

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  6. “Lusitanos”

    “À espera que a coisa abrande…”
    Já me tinha apercebido
    Que por suposto vai grande
    Este desgarrar sustenido

    Mas se a nota se expande
    Acima do que lhe é pedido
    Põe a plateia em debande
    Porque se quebra o vidro

    Não que não saiba cantar
    Mas antes se entusiasmou
    Muito além da Taprobana

    E assim pôs-se a dobrar
    O que nunca ninguém dobrou
    Toda a treta lusitana.

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    1. ADEREÇOS

      "Toda a treta lusitana"
      Que coube a Camões cantar,
      Se da poesia emana,
      Tem na História seu lugar

      E eu, sendo mísera humana,
      Nem lhe chego ao calcanhar...
      Tropeçou na Taprobana?
      Mais lhe valera saltar

      Que eu também tive tropeços
      Nos bemóis e sustenidos
      Que enverguei como adereços

      Destes meus sete sentidos...
      Dois a mais? São recomeços
      Que os demais são mal geridos,

      Maria João


      Cá vai outro! Abraço!!!

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  7. “Gestões”

    “Que os demais são mal geridos,”
    É uma gestão à portuguesa
    Quase todos estão falidos
    Falta ir a gestora presa

    Gestora de bens perdidos
    Pra uns, com tod’a certeza
    Para outros são adquiridos
    Gozam de imensa largeza

    Mas o mundo não é justo
    Ouvi... nunca poderia ser
    Se ninguém fanfe, com Fafe

    Proponho um povo robusto
    Que não tendo nad’a perder
    Todos esses gestores estafe.

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    1. EM LUME BRANDO

      "Todos os gestores estafe"
      Por tão danosa gestão
      Que ao relembrar-me do PAF
      Fico até com comichão,

      Posso até voltar a Fafe,
      Expor a minha conclusão
      E esperar que nada abafe
      Toda a minha indignação

      Pois se sou fraca gestora,
      Sou mui fértil produtora
      De conceitos com raiz;

      Mal gerindo e bem gerando,
      Vou estrugindo em lume brando
      Os restos que ninguém quis...

      Maria João

      Bom dia, Poeta!

      Cá vai, de luz acesa, porque o Sol tem andado arredio por estas paragens, o produto da minha pseudo-culinária gestão. Abraço grande!

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