DIANTE DUM POEMA INACABADO

DIANTE DE UM POEMA INACABADO
*
Não sei se chego a tempo de acudir-te,
Se o pulso da palavra ainda pulsa
Ou se parou num frémito, convulsa,
Sem tempo pr`avisar-te e prevenir-te.
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Despediu-se de ti? Viste-a sorrir-te
Antes de sucumbir qual coisa avulsa
Que caiu em desuso e que se expulsa
Sem ver que portas sempre soube abrir-te?
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E quem te acode quando te morrer
Essa que tu admites nada ser
Se não um mito abstracto e reciclado?
*
Musas... são tantas quantos formos nós,
Mas ao partir irão deixar-nos sós
Diante de um poema inacabado.
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Maria João Brito de Sousa – 14.08.2018 – 11.44h
Perseverança
ResponderEliminarque o inacabado tem o seu quê de Beleza
rara...
Bom e feliz feriado
e xoxo de aqui dos Calhaus
Obrigada e um bom dia para ti, Anjo.
EliminarDevo dizer-te que este soneto está estruturalmente acabado. É apenas uma reflexão sobre as muitas solicitações que a vida, por vezes, nos impõe e que podem impedir-nos de escrever, facto que atribuímos sempre - brincando, claro... - à ausência da musa.
Bjinhos