DOBA, DOBA, DOBADEIRA

O FIO DA MEADA.jpg


 


DOBA, DOBA, DOBADEIRA


*


 


Da vontade do corpo e dos sentidos,


Em pequeninos nadas os moldei


E explicá-los melhor não poderei,


Que os tenho amarrotados, ou perdidos.


 


*


De livros mais que lidos e relidos


E de velhos papéis que rabisquei,


Bem como de outros tantos que rasguei


Ou que andam por aí, meio escondidos,


*


 


Entre as mil coisas que nunca encontrei,


Talvez porque jamais as procurei,


Disso tudo nasceram, decididos


*


 


 


Como prosas vestindo outros vestidos


Que, não sabendo como, tricotei


A partir de uns novelos que dobei.


*


 


 


Maria João Brito de Sousa -11.07.2018


 

Comentários

  1. Caramba Menina
    isto sim é versar
    a razão de existir e Poetar

    Beijinhos de aqui e uma sossegada noite

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fico contente por saber que gostaste, Anjo!

      Já estou com o João Pestana a fazer das suas...ou serão as areias que vieram do Saara, segundo uns, e de outros sítios, segundo outros...

      Dorme bem, Anjo! Beijinho!

      Eliminar

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