SEGUNDA CARTA ABERTA A UMA MUSA INEXISTENTE

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SEGUNDA CARTA ABERTA A UMA MUSA INEXISTENTE


*





O que é feito de ti? Por que partiste?


Nunca a ti te falhei; mesmo doente


Dei-te toda a atenção que me pediste


E se uma vez ou outra te fiz frente


*





Foi porque demasiado me exigiste


E, às tantas, te tornaste prepotente...


Repara que o poema em mim persiste,


Embora a tua voz lhe esteja ausente,


*





O verso seja fraco e lasso e triste


E apenas pra mostrar que não desiste


Teime em dizer-se, assim, penosamente,


*





Como quem perde a força, mas resiste,


E admite que, afinal, a musa existe,


Mesmo quando lhe chama inexistente.


*








Maria João Brito de Sousa – 26.08.2018 – 11.31h








 





 

Comentários

  1. E assim
    existente ou não
    fica o teu coração

    Bom e feliz dia
    beijinhos de aqui

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    1. Bom e feliz dia também para ti, Anjo

      O meu coração? Esse músculo-motor existe, sim senhor

      Bjinhos

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  2. "E=mc2"

    Eu no tempo apenas perdido
    Com os afazeres habituais
    Não sei se por ter nascido
    Ou por outras causas banais

    Não encontrei definido
    O que para os seres normais
    Poderia já estar decidido
    Pois do tempo não voltam mais

    Embarquei numa equação
    Toda plena de energia
    Mas logo dúvidas suscitou

    Assinalaram a transgressão
    Dizem-me não ser do Mia
    Einstein ainda não voltou.

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    1. A BARCA E A EQUAÇÃO

      "Einstein ainda não voltou",
      Nem jamais irá voltar,
      Mas muita gente inspirou
      A pensar e equacionar,

      Segundo quanto engendrou
      E quanto há para engendrar
      Desde o tempo que passou
      Ao que inda está por chegar.

      Quer o saibamos, quer não,
      Estamos lá, nessa equação
      Em que diz ter embarcado

      E o Mia não é excepção,
      Vai na mesma embarcação,
      Mesmo indo contrariado...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, muito à pressa - como sempre... - e com o abraço de todos os dias.

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