DEVERIA?

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DEVERIA?


*


 


 


Deveria quedar-me em ledo encanto


Ao sabor desta música de fundo,


Mas mal o dia nasce e me levanto


Só penso em conhecer melhor o mundo.


*


 


 


Deveria ficar-me pelo canto


Da eterna melodia, mas confundo


Um tanto dela com esse outro tanto


Maior do que o que sou... e mais fecundo.


*


 


 


Deveria sentir-me saciada


Por cantar muito, não sabendo nada;


Só por poder cantar, cantar, cantar...


*


 


 


Deveria, pensais... mas se o devesse,


Até o verso perderia interesse


E morreria em vez de se espraiar.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 15.09.2018 – 13.21h


 


 


 


 

Comentários

  1. Bom e feliz dia MJ
    que o Outono tá já por cá
    e mais frio trará...

    beijinhos de aqui

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    1. Bom e feliz dia, Anjo.

      Mais fresquinho, também por aqui, embora o sol entre a jorros pela portada da marquise

      Bjinhos

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  2. Não se preocupe amiga. É verdade que é um pouco longa, mas eu nunca me atreveria a cortá-la é a sua história de autora.
    Depois há por lá biografias tão grandes ou maiores que a sua. Cecília Meireles por exemplo é bem maior. Eu sei, e a amiga também sabe, que a maioria dos leitores lê apenas o poema, ou se lêem a biografia o fazem na diagonal.. Mas aquele blogue é o único do género e é muitas vezes procurado por estudantes universitários para os seus trabalhos. Eu sei porque de vez em quando recebo e-mails a pediram autorização para utilizarem um ou outro post para isso. E eles sim lêem tudo, pois quanto maior a informação menos tempo perdem em busca de informações complementares..
    Abraço

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    1. Cecília Meireles é uma autora com uma projecção que eu estou muito, muito longe de ter, Elvira :)
      Mas está feito e, felizmente, a maioria dos leitores irá lê-la apenas na diagonal.
      Se souber que algum estudante universitário se interessa pelo soneto formalmente clássico, faça-mo saber, por favor. Ficarei surpreendíssima, mas muito, muito contente por poder libertar-me desta estranha sensação de pertencer a uma espécie poética em vias de extinção.

      Forte e grato abraço

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