NESTA CASA

NESTA CASA.jpg


 





NESTA CASA


*


 


 


Neste estuário, essa íntima constante


do que tenho de meu, sem que meu seja,


é onde o verso espreita e me corteja,


sedutor, persuasivo, insinuante...


*


 


Quase garanto não haver garante


de que, no tempo, outro local me eleja


um espaço que me abrigue, me proteja


e me cubra de versos, como amante.


*


 


 


Foi nesta casa, com a qual casei


em nome de um amor que não tem nome


- e se o tiver, confesso que o não sei -,


*


 


Que ganhei corpo de alga e passei fome


e me fiz concha e às rochas me moldei,


tal qual o faz o sal que me consome...


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 03.09.2018 – 18.17h


 


 

Comentários

  1. Bonito
    que o tempo muda
    e já se sente um friozinho
    fresquinho...

    Bom e feliz dia aconchegado
    Beijinhos de aqui

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    Respostas
    1. Pois, será muito bonito, Anjo, não duvido, mas... os invernos, para mim, são sempre tempos muito difíceis e dolorosos, em termos de saúde física.

      Por enquanto a minha casa está quentinha. Deixa-me cá aproveitar enquanto posso.

      Beijinhos

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  2. “Tempero”

    “Com mil coisas que eu cá sei”
    Sendo parte dum tesoiro
    Outras dez mil procurei
    Estarão no pote de oiro

    Não chegam para ser rei
    Tenho um arado e um toiro
    Colho do que semeei
    Mágico é o bebedoiro

    Donde sempre beberei
    Também é ancoradoiro
    Mil coisas imaginei

    Mil coisas deram o estoiro
    Resto zero é minha lei
    Tempero é folha de loiro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Loiro, Sempre Fora do Prato"

      "Tempero é folha de loiro"
      Que, dizem, se deita fora
      Quando se serve o tesoiro
      Da refeição onde mora

      Em cujo preparo é de oiro,
      Cujo cheiro nos namora,
      Mas pode tornar-se um estoiro
      Que ao mastigar se deplora...

      Bem-vindo como tempero,
      Pode ser um desespero
      Se engolido ou mastigado,

      Por isso é que recomendo
      Que muita atenção vá tendo
      E ponha o loiro de lado.

      Maria João

      Rsrsrsrs... cá vai o que me ocorreu, assim, de repente, Poeta. Outro grande abraço!


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