OLHEI-ME AO ESPELHO, ABRINDO UMA EXCEPÇÃO

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OLHEI-ME AO ESPELHO, ABRINDO UMA EXCEPÇÃO


*








Olhei-me ao espelho, abrindo uma excepção,


mas não vi, das mazelas, os sinais...


Da dor, não vislumbrei sonoros ais


e, como tal, mirei-me ao espelho em vão.


*


 


 


Eu, que nunca lhe tive devoção,


mas que prefiro o espelho aos hospitais,


só o consultaria uma vez mais


se me desse uma sábia opinião.


*


 


 


Nada me diz, porém, que eu desconheça


e não vendo razões pra consultá-lo,


não creio que este espelho me mereça


*


 


 


Um segundo que seja para olhá-lo;


não passa de uma velha, inútil peça


que cria pó pra me fazer limpá-lo...


*


 





Maria João Brito de Sousa – 28.09.2018 – 12.45h








Na sequência do poema O MEU ESPELHO, de Joaquim Sustelo.


 

Comentários

  1. Se ao menos existissem espelhos para a alma! Mas não, os espelhos são uns prosaicos e insensíveis objetos, indiferentes ao sofrimento de quem se olha neles. Muito obrigado por mais este belo soneto.

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    1. Sou eu quem lhe agradece a leitura e a gentileza das palavras, Fernando S. Ribeiro.

      Não, não creio que haja espelhos para a alma e eu nunca me preocupei muito com estes, que reflectem o nosso aspecto exterior... bom, utilizo-os, por vezes, para tentar descobrir que aspecto terá uma borbulha ou mesmo uma ferida que me tenha surgido e que esteja fora do meu campo visual, mas pouco mais.

      Ocorreu-me agora que os nossos textos - poéticos ou não... - quase sempre reflectem um estado de alma e talvez sejam aquilo que mais próximo está de ser um espelho da alma.


      Grato abraço

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  2. Lindo
    até num pouco de nostalgia
    que até eu se tivesse 20 anitos
    é que seria hé hé hé

    Boa e feliz noite de aqui dos Calhaus
    e Beijinhos

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    1. :) Hummm... tu eras vaidoso, Anjo?

      A coisa mais divertida - e assustadora... - que eu fazia com um espelho, quando era muito, muito pequenina, era andar a passear-me pela casa com a superfície espelhada virada para o tecto. Ao passar as ombreiras das portas, tem-se a sensação de se dar um passo em direcção a um vazio... foram os meus primeiros contactos e experiências no sentido de enfrentar medos que a razão desmentia. Descobri isto sozinha e ainda levei algum tempo até deixar de hesitar ao passar sob uma ombreira... a ilusão é muito forte e tem muito poder sobre nós.

      Feliz noite para ti. Beijinhos.

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  3. Os espelhos são uma invenção demoníaca. Só nos mostram aquilo que não interessa. Ou que não queremos ver.
    Abraço e bom fim-de-semana

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    1. É possível, Elvira... eu nunca lhes liguei nenhuma, mesmo no tempo em que o meu reflexo não era feio de todo :)

      Abraço e que tenha, também, um excelente fim-de-semana

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