SONETO-DEDICATÓRIA

soneto dedicatória.jpg


 


SONETO-DEDICATÓRIA


*





Terçando as armas que deixei pra trás,


revivalista fui, por um instante,


de um passado tão morto e tão distante


quanto o meu espanto vão, de tão fugaz.


*





Perdido o espanto, nada já me apraz,


mas se arma e sonho fossem a constante


da luta que esta vida leva avante,


então talvez... talvez morresse em paz.


*





Volto ao revivalismo abandonado,


embora velha, embora enfraquecida,


ergo o punho bem alto, bem cerrado,


*





E quem fica pra trás morta e vencida,


não é o sonho nunca conquistado,


é a derrota, nunca consentida!


*


 





Maria João Brito de Sousa – 30.09.2018 – 12.15h











Imagem - Tela de Pablo Picasso


 

Comentários

  1. Gostei de ler Maria João. Diria que este soneto é quase uma continuação do comentário que deixou na minha página. Admiro-lhe o talento, mas mais do que isso admiro-lhe a força e a com que luta, para não deixar morrer os sonhos. Acredite, gostava de ter metade da sua coragem. E sim a sua amiga tem razão, pronto aqui estou eu a comentar a poeta e não o poema. Talvez porque me falte engenho e arte para o fazer, mas a verdade, é que sempre pensei que a poesia, se sente, não se comenta.
    Um abraço e bom domingo.

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    Respostas
    1. Muito obrigada pelas suas palavras, Elvira.
      Tem toda a razão, este soneto foi escrito a pensar no seu poema e, como tal, é a si que o dedico.

      Quanto ao facto de se comentarem os poetas e não os poemas, não se preocupe. Era inevitável que isso começasse a acontecer. Estamos todos muito próximos uns dos outros, dedicamos poemas uns ao outros, como agora aconteceu... é apenas um dos efeitos secundários de se publicar online :)

      Aquilo que não se deve, de forma nenhuma, fazer é coarctar a liberdade poética dos outros. A poesia deve poder rir, chorar e até gritar livremente.
      Mesmo em grupo, cada poeta deve poder dar voz à sua voz interior e até aproveitar uma das grandes liberdades que a poesia nos dá e que é dar voz a outrem, que não nós próprios, desde que com ele/ela nos identifiquemos de alguma forma.

      Forte abraço e um bom Domingo.

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  2. E assim passamos os dias
    umas vezes tristes
    outros em alegrias...

    Beijinhos de aqui e uma boa Semana

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