PREENCHENDO TEMPO(S) DE ESPERA II

PREENCHENDO ESPERAS II.jpg


 


PREENCHENDO TEMPO(S) DE ESPERA II


*





Podia ter vestido a seda antiga


que guardo no baú da minha infância,


mas vesti-me de chita que, à arrogância,


nunca a tive por musa, ou por amiga.


*





Podia estar cantando outra cantiga,


mas não dou à aparência essa importância


e escrevo enquanto aguardo uma ambulância,


sentada num degrau, qual rapariga,


*





E não qual velha dama atormentada


por vértebra dorida ou herniada,


pois mais pode um poema do que a dor.


*





Assim, sobre mim mesma enrodilhada,


componho versos ao som da toada


da minha melodia interior.


*








Maria João Brito de Sousa – 23.10.2018 – 18.15h


*





No HSFX, aguardando a chegada do veículo de transporte de doentes não urgentes.


 

Comentários

  1. Nem dores nem maus dias, nem esperas desesperantes travam a poesia que a Maria João traz no peito.
    Abraço

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    Respostas
    1. Como eu já disse a um amigo, nem sempre a "musa" me acode nestas esperas enfadonhas, mas é muito bom quando isso acontece :)

      Obrigada pela leitura e pelas suas palavras, Elvira :)

      Abraço!

      Eliminar

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