DO BELO ABSOLUTO

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DO BELO ABSOLUTO


*





Viverá nas franjas da espuma das ondas


Comendo redondas e doces laranjas;


Daquilo que esbanjas formará, em rondas,


Espelhos de giocondas, sargaços e granjas.


*





Do que mal abranjas, urdir-te-á mondas


De aromas que sondas, dos quais fará canjas,


Consolos que arranjas depois das tais rondas


Que fazes se zombas, mas não te constranjas


*





Porque não existe, é mero produto


De um ramo sem fruto. Se pensas que o viste,


Se a visão persiste e se torna reduto,


*





Mas perde estatuto, não fiques tão triste


Que ainda te assiste direito ao seu luto;


Do belo absoluto, contudo, desiste.


*








Maria João Brito de Sousa – 04.12.2018 – 10.10h


 



Imagem - Vénus de Willendorf (Wikipédia)

Comentários

  1. E já está
    que amanhã se verá
    e penso que sim
    foi a última intervenção
    pois decerto melhorará

    Com um visómetro só
    tudo é mais reduzido…

    Bom e feliz dia e beijinos

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    Respostas
    1. Sim, Anjo, tudo fica mais difícil para quem tem apenas um olho a funcionar...
      Mas ter dois que funcionam muito mal, também não é nada fácil.
      Recupera rapidamente!

      Beijinhos e uma feliz tarde para ti.

      Eliminar
  2. Gostei de ler, Maria João.
    Abraço e uma noite descansada

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Elvira.

      Que tenha uma excelente quarta-feira. Abraço.

      Eliminar
  3. "Nativo"

    Absoluto é relativo
    E inerente à relação
    Digo eu que sou nativo
    Das vozes do coração

    Outras vezes quando vivo
    Assumindo uma razão
    Se não lhe vejo motivo
    Dou a voz à proporção

    Já certeza tem por certo
    Incerteza e indefinição
    Neste sopro sem rigor

    Mas na proporção acerto
    Sem cometer transgressão
    Se temperado com amor.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Equilíbrio e Distorção

      "Se temperado com amor"
      E equilibrado em razão,
      Tudo terá mais valor,
      Harmonia e proporção,

      Sem lugar para o rancor,
      Mas com espaço prá paixão,
      Pode enfrentar-se o pior
      Desta humana condição.

      Só na arte a transgressão
      Nos permite a criação
      Do que nela há de melhor

      E é bem-vinda a compulsão
      Em que toda a distorção
      Se transforma em pura côr.

      Maria João


      Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de sempre.

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