FRUTOS DE POMAR

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FRUTOS DE POMAR


*





Reparte-se a laranja. Gomo a gomo,


Vai-se distribuindo a polpa doce...


Quem do fruto não goste, que não troce;


Depressa se lhe of`rece um novo pomo


*





Talvez uma maçã que colho e como,


Tal qual essa maçã nada mais fosse,


Que uma segunda opção que toma posse


E que, à primeira, num segundo somo.


*





Há frutos de sobejo no pomar


De todos os que os saibam partilhar


E dessa oferta nunca me envergonho.


*





Maçãs, laranjas, peras, tangerinas,


Uvas, melões, romãs e mandarinas,


Sempre a brotar de quem desenha um sonho.


*





Maria João Brito de Sousa – 26.12.2016 – 12.48h


*





À Olívia. A todos os Desenhadores de Sonhos.


 


Imagem colhida daqui


 

Comentários

  1. Sonhos bonitos
    fazedores de amores

    Um bom e feliz dia
    Beijinhos de aqui dos calhaus frios

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    1. Obrigada, Anjo.

      Um dia feliz também para ti,

      que aqui, no meu estuário, também está um friozinho de rachar

      Beijinhos

      Eliminar
  2. Vou colocar
    teu soneto
    no espaço
    onde se desenha o sonho

    E tiro-lhe um gomo

    Posso?

    ResponderEliminar
  3. Muito bonito Maria João.
    Abraço e um enorme obrigada pelo seu carinho e preocupação comigo.

    ResponderEliminar
  4. "Fui ver"

    Passa o tempo devagar
    Tão depressa por mim passa
    Que até pareço congelar
    Quando ele me ultrapassa

    Sem razões pra duvidar
    Dos trilhos que ele traça
    Dou por mim a meditar
    Nariz encostado à vidraça

    Batem leve levemente
    Não será essa meditação
    E o tempo não bate assim

    Fui ver a neve caia indolente
    No pátio da imaginação
    Que mais parecia um jardim.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Vendo

      "Que mais parecia um jardim"
      De branco e verde enfeitado,
      Ali, à espera de mim,
      Pois por mim fora engendrado

      Quando, meditando assim,
      O vi surgir, recortado
      Nesse horizonte sem fim
      Muito além do meu telhado.

      Veio a mim, brotou do chão,
      Nasceu da meditação
      E, no espaço de um momento,

      Escondeu cimento e alcatrão;
      Não passou de uma ilusão,
      Mas deu-se em contentamento.

      Maria João

      Bom dia, Poeta. Cá vai, com o abraço de sempre, agora fazendo votos de que tenha excelentes entradas no novo ano que está quase a chegar.

      Eliminar
  5. "Existência vazia"

    Esqueci-me de existir
    Além existência não vejo
    Mas não posso resistir
    Pois na alma me revejo

    Se o espelho não partir
    Posso formular um desejo
    Existência vinda a seguir
    Que não seja um lampejo

    Seja plena de sabedoria
    Vazia de poder e certeza
    Ou então não seja um eu

    Seja uma existência vazia
    Vazia com tanta firmeza
    Que tod’o espaço preencheu.

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    Respostas
    1. Ser-se Eterno, Enquanto se É...


      "Que tod`o espaço preencheu",
      Tornando o vazio repleto
      De pedaços do meu eu
      Que só mudaram de aspecto.

      No entanto, algo morreu,
      E só no vácuo é completo
      Esse espaço já sem véu
      E tão sem sombra de objecto...

      Não me esqueci de existir,
      Porque "penso, logo existo",
      E estou mesmo a resistir;

      Tão depressa, não desisto!
      Mas, depois, penso a sorrir:
      - Sei lá quanto mais resisto...


      Maria João


      Desculpe-me, Poeta! A notificação para o seu sonetilho ficou perdida na confusão da minha caixa de correio e só agora mesmo a descobri.

      Cá vai com um abraço grande!

      Eliminar

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