VENTO EXPRESSIONISTA

VENTO EXPRESSIONISTA
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O vento, que soprava em rabanadas,
Passou por mim, prendeu-me nos seus braços
E deixou-me suspensa nos espaços,
Sem chão, nem asas, ou de asas cortadas.
*
É louco o vento! Loucas as nortadas
Que me deixam assim, feita em pedaços,
De sopro em sopro e dispersada em traços
Como se fosse a soma de alguns nadas...
*
Desfez-me toda, o vento, e no entanto,
Se o seu sopro se acalma e se detém,
Volto a ficar inteira, por encanto.
*
Cada traço disperso volta sem
Errar caminho e recontrói-se o tanto
Que eu sou, que traço a traço me contém.
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Maria João Brito de Sousa – 20.12.2018 – 15.59h
Desenho de JULIO retirado daqui
Votos de um Feliz Natal e que veja o ano 2019 com bons olhos.
ResponderEliminarAgradeço e retribuo os seus votos, Fernando :)
EliminarNem o mundo, nem os meus olhos estão grande coisa, mas tentarei ver 2019 como um ano não desencantado de todo :)
Fraterno abraço
Boa e feliz noite agasalhada
ResponderEliminarde soninho fofinho
que o frio estraga seja que ventada
Beijinhos de aqui dos Calhaus frios
Boa e aconchegada noite também para ti, Anjo
EliminarBeijinhos
Belos sonetilhos escreve, à molhada
ResponderEliminarE todos os dias me manda um molho,
Deixa minha alma, sempre, extasiada
Pois, embora o diga, não é um «zarolho»
E lá vão chegando, sem eu dar por nada
Se vou ao Gmail e mal p´ra lá olho
Aos três e aos quatro, todos d´assentada
E todos servidos com o mais puro molho.
Já tenho cismado: onde irá beber
Tanta humanidade e profundo brilho?
Mas eu continuo a não entender.
Queria eu pensar que é hereditário,
Já que o pensador, até é meu filho…
Mas se ele assim cresce, eu cresço ao contrário.
EDUARDO MAXIMINO
EliminarTROCA DE SONETILHOS
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"Eu cresço ao contrário",
Que esta lei da vida,
Para ser cumprida,
Nem quer voluntário,
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Cumpre um calendário,
Vai numa corrida,
Tem de ser seguida
Pelo seu horário!
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Ele, que sobe ainda,
Eu, que desço já...
Se o tempo se finda,
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Para mais, não dá...
Por enquanto é linda,
Mais bela não há!
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Maria João
Obrigada e um Feliz Natal, amigo Eduardo.
Um forte abraço para si, sua esposa e toda a família!
ELAS e o ESCRITOR
ResponderEliminarÀ deriva nos esconsos do meu ser
por lá se ocultam, sem eu dar por elas.
De repente, atrevidas, sem eu querer
povoam meu firmamento de estrelas.
Chamo-as, outras vezes, para as poder ter
elas escondem-se e não posso vê-las.
Quedam-se mudas para me entristecer
e triste eu fico, tentando entendê-las.
Ai as palavras, dádivas preciosas
com que me entretenho em jogos de enredo.
Quando elas querem, damas caprichosas
que , às vezes, sigo, terno sedutor
e em quem eu toco, quase sempre a medo
se sonho, esperançoso, que sou escritor.
Eduardo Maximino
EliminarFELIZ NATAL
COM PALAVRAS!
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“se sonho, esperançoso, que sou escritor”
Nem um dissabor me torna rancoroso;
Cada verso, um gozo, que é predecessor
De um vento a favor, mais do que precioso.
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Assim passo, airoso, quando airoso for,
Torno-me melhor e, por vezes, vaidoso,
Sinto-me radioso, sem medo ou pudor,
Nem mesmo com dor, me mostrarei queixoso.
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Palavras ambíguas, com duplo sentido?
Eu com elas lido e, às vezes desligo-as,
Outras vezes, digo-as, torno-me “bandido”...
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Palavras são laços de seda ou de linho;
Trato-as com carinho, nelas ponho abraços,
Versos e pedaços de ouro e de azevinho.
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Maria João Brito de Sousa – 21.12.2018 – 11.42h