A FONTE DOENTE

LA FONTANA.jpg


A FONTE DOENTE


*



 


Qual “Fontana Malata” vou tossindo


E que Aldo Palazzeschi me perdoe


Por “fontana” e “malata” me ir sentindo,


Ainda que diversa a voz me ecoe


*



 


Do “clof, clop, cloch”, resumindo


O som que a fonte faça, o som que entoe


Enquanto assim o vai reproduzindo


Ouvido que o transcreva e não destoe.


*



 


Tanto a fonte se engasga e regurgita


Que, ao poeta, um poema então suscita,


Piedoso, solidário e fraternal



 


*


Quanto a mim, que me espelho nessa tosse,


Antes quisera que só dela fosse


Um som que, ao igualar-nos, nos faz mal.


*



 



 


Maria João Brito de Sousa – 13.01.2019 – 13.43h



 



 



 


Inspirado no poema “La Fontana Malata” de Aldo Palazzeschi, Itália, 1885-1974

Comentários

  1. Granítico humor
    Espirro de pedra
    Que te passe a maleita
    Que te passe depressa

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    Respostas
    1. Às vezes tenho mesmo um humor de granito, Rogério.

      De tal forma ele irrompe nos meus piores momentos que ainda nem percebi se ele não bate a esperança, em longevidade...

      Forte abraço

      Eliminar
  2. Hmmmm, mas cá pra mim
    a água estava inquinada
    daí o cof cof sem fim hé hé hé

    Bom e feliz dia de Sol
    beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Talvez, Anjo, talvez...

      Para ti, uma boa e ensolarada semana

      Beijinhos

      Eliminar

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