DEZASSETE DE JANEIRO

17 de Janeiro.jpg


DEZASSETE DE JANEIRO


*


Irei desintegrar-me em dez segundos


Após a conclusão do que decreto


Aqui, preto-no-branco, a branco e preto,


Em caracteres enormes e rotundos


*





Quais vermes a soltar viscos imundos


Sobre o que já foi sonho e foi projecto


E agora pode ser o mais abjecto


Dos saldos sujos e nauseabundos.


*





Nada de novo aqui, neste poema;


Bem melhor abordou o mesmo tema,


Henriques Britto, o bom soneticida


*





Que no seu Dezanove de Janeiro


Fuzilou um soneto passageiro,


Meteu-se no seu carro e fez-se à vida.


*








Maria João Brito de Sousa – 17.01.2019 – 14.09h





Ao soneto “19 de Janeiro”, de Paulo Fernando Henriques Britto, Brasil.


 


Imagem retirada daqui

Comentários

  1. Bom dia Maria João.
    Gosto de a ler, bem sabe, embora por vezes a minha ignorância torne difícil entender um ou outro poema. Não conheço o poema 19 de Janeiro, li o seu que me parece uma critica à sociedade atual.
    Desejo que esteja melhor da sua gripe.
    Abraço e bom fim-de-semana

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    Respostas
    1. Não diga isso, amiga Elvira... ou então deixe-me que lhe diga que a minha ignorância também me dificulta a leitura e um ou outro texto, mas analiso, interpreto, pesquiso e acabo por entendê-lo, tal como a amiga entendeu que este era uma crítica à sociedade actual. Acrescento que, mais especificamente, é uma crítica à comercialização da arte e da cultura nos sistemas capitalistas.

      Deixo-lhe aqui o poema de Paulo Fernando Henriques Britto, directamente retirado do Sonetário Brasileiro;

      "(19 de janeiro)

      Até esta chegar às suas mãos
      eu já devo ter cruzado a fronteira.
      Entregue por favor aos meus irmãos
      os livros da segunda prateleira,

      e àquela moça — a dos "quatorze dígitos" —
      o embrulho que ficou com o teu amigo.
      Eu lavei com cuidado o disco rígido.
      Os disquetes back-up estão comigo.

      Até mais. Heroísmo não é a minha.
      A barra pesou. Desculpe o mau jeito.
      Levei tudo que coube na viatura,

      mas deixei um revólver na cozinha,
      com uma bala. Destrua este soneto
      imediatamente após a leitura."

      Paulo Fernando Henriques Britto

      Obrigada pelo seu cuidado. Infelizmente não estou nada melhor e a dor no peito veio somar-se às outras dores todas, mas estou a antibiótico e vou dar tempo ao tempo, pois não tenho outro remédio.

      Forte abraço e um excelente fim-de-semana.

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  2. “Direito ao abismo”

    “Que o mundo lhe souber dar!”
    Porque ao mundo lhe foi dado
    Razões p´rá razão encontrar
    O que nunca foi encontrado

    Para as muitas feridas sarar
    Deste mundo assim mutilado
    E um dia o mundo almejar
    Ser um mundo muito amado

    Por todos os mundos ao redor
    Que verão nele o mundo maior
    Sem razão pra inconformismo

    E enquanto não nos satisfaz
    Por haver guerra e não a paz
    Que haja o direito ao abismo.

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    Respostas
    1. Abismo, com "i"

      "Que haja o direito ao abismo",
      Inda que escrito com "i"
      Pois não será cataclismo
      Vê-lo passar por aqui

      Quando o olho e quando cismo
      Sobre tudo o que aprendi
      E, sem qualquer saudosismo,
      Também sobre o que esqueci...

      Nesta vida há muitas leis
      E eu recordo cinco ou seis
      Que não devem ser esquecidas

      E as mais inconcebíveis
      Vão passando imperceptíveis
      Pelos viventes das vidas...

      Maria João


      Olá, Poeta Cá vai o que me ocorreu, com o abraço de sempre.

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  3. Êlááááááaaááa
    Bonie and Clyde à Portuguesa
    ou faca e alguidar com certeza hé hé hé brinco

    Beijinhos e uma feliz noite aconchegada
    que tá mesmo frio brrrrrrrrrrrrrrrr

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Frio e muitas dores no peito, sem que tenha melhorado...

      Noite aconchegada para ti, Anjo

      Bjinhos

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