EI-LA A SER CASA E FOCO E FORTALEZA

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EI-LA A SER CASA E FOCO E FORTALEZA


*





Ei-la a ser casa e foco e fortaleza,


Erguendo-se dos braços da cidade,


Demarcando-lhe as veias com firmeza,


Nutrindo-a de calor, de intimidade,


*





Desse supremo bem que hoje despreza


Tudo quanto a viola, castra, invade,


Tudo o que, vindo pôr-lhe pão na mesa,


Lhe cobra o preço da privacidade.


*





Ei-la a ser casa, ainda que invadida


Por olhos que a verão comprometida


Por faltas que não são nem foram suas.


*





Ei-la a ser fortaleza porque o sabe


E agradece sorrindo, inda que acabe


Desfeita em mil estilhaços pelas ruas.


*





Maria João Brito de Sousa – 22.01.2019 -11.34h






Imagem retirada daqui

Comentários

  1. Os tempos
    o Governo
    as vontades
    e o chamado progresso
    arranjam essas verdades
    a cada dia

    Beijinhos e uma tarde agasalhada brrrrrrrrrr

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    Respostas
    1. Pois fazem, fazem, Anjo...

      Está um frio de rachar e eu pareço uma trouxa de roupa semi-ambulante

      Beijinhos

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  2. Não sei se entendi bem o sentido do poema. Se a casa aqui existe ou é uma metáfora do seu próprio eu.
    Lamento que não esteja melhor. Graças a Deus a minha tosse está a desaparecer. Ontem li num blogue, que uma amiga estava muito atacada do peito e com muita tosse. Diz que lhe disseram para por vick vaporub na sola dos pés e calçar umas meias antes de ir para a cama. Diz que o fez e que até parecia milagre, de tal modo melhorou.
    Um abraço e as melhoras.

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    Respostas
    1. Sim, Elvira, é uma metáfora não apenas do meu próprio "eu", mas dos "eus" de todos nós. Esta casa simboliza o direito à intimidade e à privacidade.

      Obrigada, mas eu estou um bocadinho melhor da tosse. O que ainda me incomoda é a dor no peito, quando inspiro e até quando me movo um pouco.

      Abraço e que continue, também, a melhorar.

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  3. "Jamaicas"

    A Jamaica em Portugal
    Um quadro inacabado
    Será um dia pintado
    Sem tragédia orçamental

    Ou na forma instrumental
    Segue sendo esborratado
    Dando-se uso inadequado
    Cavando a semente do mal

    Compete-nos a decisão
    Não a um ser vindo do espaço
    Ou a um androide visceral

    Não tenhamos a presunção
    De erguer muros de aço
    Onde falta o fundamental.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. A VIRTUDE ORIGINAL

      "Onde falta o fundamental",
      Proceda-se à produção
      Do que, não sendo ideal,
      É sustento, tecto e pão

      Mas que haja espaço real
      Prá humana inovação
      Que é sempre um manancial
      Prá concreta evolução,

      Ou teria sido em vão
      Que esta espécie, bem ou mal,
      Com razão e coração,

      Sendo uma espécie animal,
      Se adentrou na prospecção
      Da virtude original?


      Maria João

      Poeta, estive com o computador "encravado" durante um bom pedaço, mas já vai funcionando e garanto-lhe as afinadas sete silabas melódicas de cada um destes versos, apesar das dificuldades múltiplas.

      Forte abraço

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