EXULTAÇÃO PONTUAL

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EXULTAÇÃO PONTUAL


*





Chegou num céu azul, inda impoluto,


O Verão que pensei nunca mais ver,


Já que este Inverno deitou a perder


Ramadas férteis que nem deram fruto.





*





Mas ei-lo agora, quente e resoluto,


Impondo-se-me aos frutos por nascer,


Aquecendo-me ainda, ainda a ser


Arauto do meu último reduto.





*





Por algum tempo - pouco infelizmente -


Não tremerei de frio e esquecerei


Parte de cada mal que me atormente,





*





Porque enquanto me aqueça um astro-rei


Que para todos nasça, estou contente;


Por quanto tempo exulto, é que não sei.





*








Maria João Brito de Sousa – 22.06.2019 – 10.47h













Comentários

  1. Singelas palavras belas
    num viva o Verão e a Maria João
    de assim nos regalar
    em tamanha paixão

    Bom fim de Semana com beijinhos de aqui

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    1. Obrigada, Anjo


      Que tenhas, também, um excelente fim-de-semana

      Hoje o sol de Oeiras fez greve e o céu vestiu-se de cinzento escuro... espero que, por aí, o dia esteja menos desagradável e chuvoso.

      Beijinhos

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  2. Embora este soneto tenha a palavra "exultação" no seu título, a exultação que ele contém é efémera. Vendo bem, este soneto é triste e não exultante. Este inverno que passou foi duríssimo e dificílimo para a Maria João, segundo creio, mas passou, apesar das doridas marcas que terá deixado. Passou o inverno, passou a primavera, o verão está aí e há de passar também, o outono passará igualmente, pois ainda é uma estação linda e quente (quando não chove) e o novo inverno será duro, como todos os invernos, mas também há de passar, tenho a certeza. Daqui do Porto, onde o inverno é ainda mais frio e húmido do que em Oeiras (muito mais!), peço-lhe encarecidamente que não desanime. Quero continuar a ter o privilégio de ler poemas seus cheios de esperança por muitos anos mais. Um grande abraço.

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    1. Obrigada, amigo/a!

      Não, não desanimarei, embora seja muito realista e saiba por experiência própria que os invernos configuram, todos eles, longos períodos de risco, maior dependência e grande sofrimento físico. Pelo menos para mim. Daí que esta exultação seja prudentemente pontual

      Um grande e grato abraço

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  3. Nenhum de nós o sabe Maria João. Mas esperemos que sejam muitos e que a saúde não volte a pregar-nos o susto do Inverno passado.
    Gostei de ler a sua exultação.
    Abraço e bom Domingo

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    1. Tem razão, amiga; ninguém o sabe e até os dados estatísticos da esperança média de vida contemplam alguns cidadãos muito longevos que determinam a média juntamente com os muitos que partem precocemente. No entanto, a teoria das probalidades - que sempre trago em mente - bem como alguns conhecimentos da fisiologia humana, podem oferecer-nos uma base segura para muito razoáveis previsões ao nível da duração de uma vida.

      Tendo SAAFS e as principais artérias completamente calcificadas, a minha esperança de vida é forçosamente muito, muito curtinha. Afirmo-o sem mágoas, com a objectividade de quem reconhece que a morte individual é absolutamente essencial à renovação da vida... mas tudo fará para manter-se vivo durante mais algum tempo

      Depois, com tantas visitas rápidas ao "lado de lá", acabei por ir-me habituando, rsrsrs...

      Não é a morte que temo. O que temo, a nível pessoal, é a perda da pouca independência que me vai restando.

      Obrigada e um forte abraço, Elvira .

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