NADA OS SEGURA!

Silva_Porto-05.jpg


NADA OS SEGURA!





*





Das pontas desgastadas destes dedos


Vão nascendo os folguedos de toadas


Talvez pouco afinadas, mas sem medos


Se a penas e degredos são votadas





*





Por fúteis quase nadas, por segredos,


Ou por falsos enredos e charadas...


Colhem espigas doiradas. Qu`rê-los quedos,


Aos incansáveis dedos, camaradas,





*





É perfeita loucura! Voltarão


A andar na contra-mão de uma procura


Do que trouxe amargura à servidão,





*





Pois contra a opressão da ditadura


Crescerão em estatura e dimensão


Ao dizerem que não. Nada os segura!


*








Maria João Brito de Sousa – 06.06.2019 – 23.00h

















NOTA - Soneto experimental, em decassílabo heróico com rimas na sexta e na décima sílaba métrica.








Tela de Silva Porto, retirada daqui

Comentários

  1. E a Liberdade agradece
    estas tuas palavras
    e nunca se esquece

    Beleza de texto MJ
    Beijinhos, saúde da boa
    e um bom fim de Semana, frioso
    mas o Sol logo brilhará

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    1. Obrigada, Anjo

      Não me sinto lá muito bem, hoje. Ontem fiquei desgastada com a ida ao hospital, adormeci na ambulância e, depois, fiquei acordada até às tantas...creio que me constipei.

      Beijinhos e um excelente fim-de-semana

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  2. Nada me segurará!
    E eu, te asseguro
    Que os segurarei
    Com erguido punho

    (tem cuidado contigo)

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    1. Terei, Rogério, terei tanto cuidado quanto possa, embora, como disse à Elvira, possa muito pouco. E, sim, acredito que, também aos teus dedos, nada os segurará.

      Forte abraço

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  3. Gostei de ler.
    Especialmente a última parte do poema. Porque essa é a esperança.
    Digo como o Rogério.
    Cuide de si.
    Abraço e bom fim-de-semana

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    1. Obrigada pelas palavras amigas, Elvira.

      Acredite, amiga, que cuido de mim tanto quanto posso, muito embora possa muito pouco.

      Um forte abraço e votos de um excelente fim-de-semana.

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  4. “Mais além”

    Quem não trabalha e come
    Come sempre o pão de alguém
    Saciado e já sem fome
    Vai de fugida também

    E todos com seu bom nome
    Tentam chegar mais além
    Só que alguns com sobrenome
    Papam tudo o que convém

    Assim permitem outros tantos
    Ficando o povo a chuchar
    Na velha e já sêcatêta

    Uns se desfazem em prantos
    Outros param a ajuizar
    Dando ao povo a chupeta.

    Prof Eta

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    1. Mais Além II

      "Dando ao povo uma chupeta"
      Estão os donos disto tudo...
      Esta leitura é correcta,
      Digo eu que não me iludo,

      Nem com conversas de treta,
      Nem com falas de veludo
      Que se embalam na concreta
      Confecção de um rasto mudo...

      Eu, que estou velha e doente,
      Sei que não presto pra nada,
      Mas que dizer dessa gente

      Que anda tão determinada
      Em culpar o inocente
      Do que fez, se fez "borrada"?

      Maria João

      Bom dia, Poeta!

      Cá vai o me ocorreu, assim, de repente, como sempre faço quando lhe respondo em sonetilho.

      Abraço grande.


      Eliminar
  5. Em boa verdade, nada segura as pontas ágeis desses dedos, guiados por uma prodigiosa imaginação
    Sem que disso me apercebesse, nasceram aqui mais três belos poemas e não sei porquê não os vi a tempo, embora saiba que sempre é tempo para apreciar a bela poesia da Maria João. Tal como já tinha 'profetizado', pouco a pouco a agilidade de movimentos irá trazê-la de volta e em grande.
    Parabéns por essa força interior que cresce a cada dia, para nossa alegria. :)

    Beijinho, boa semana.

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    1. Obrigada, Janita

      No momento em que escrevi este soneto, senti que nada mos poderia parar, senti... foi a expressão viva de um instante de força, confiança e alguma rebeldia. No fundo, sei muito bem que um dia agitado, como o de hoje, basta para eclipsar a pouca energia que me vai restando, sobretudo quando uma nova infecçãozeca vai começando a minar os alicerces da minha recém-proclamada convalescença. Estou num período de intermitências; quando a saúde se firma um pouco, escrevo, mas quando são as mazelas que se impõem, fico "desmusada" de todo...

      Beijinho e uma feliz semana

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    2. Peço desculpa, Janita. A anónima que lhe responde acima sou eu mesma, a Maria João

      Eliminar
  6. “Não cobramos”

    Daqui a pouco vou morrer
    Ou vou ser assassinado
    Pois não gosto de me ver
    A este espaço confinado

    E depois vou renascer
    Serei fantasma encantado
    Tudo farão pra m'entender
    Mas não estou p'raí virado

    Venham comigo ao além
    Fiquem fãs deste pensar
    Tragam um amigo também

    Nada terão que nos dar
    Não cobramos a ninguém
    A simples forma de amar.

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    Respostas


    1. "A simples forma de amar"
      Dos fantasmas, desconheço...
      Mas bem posso imaginar
      Que não tenha qualquer preço,

      Nem que esteja pr` alugar,
      Mas... Poeta, aqui lhe peço
      Que se não deixe matar,
      Assim, por qualquer tropeço;

      Por dura que seja a vida,
      Bem mais dura é a partida,
      Que disso sou testemunha.

      Fique por cá mais uns anos
      Que, entre esp`rança e desenganos,
      Deve o céu estar mesmo à cunha.

      Maria João


      Bom dia, Poeta

      Cá vai, com o abraço de todos os dias.




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  7. Bom fim de Semana
    noite agradável e repousada MJ

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    1. Obrigada, Anjo

      Que tenhas uma noite repousada e um feliz fim-de-semana.

      Beijinhos

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